
Os
profetas hebraicos eram inspirados por Deus, que os dotava de antevisão e os obrigava
a proclamarem o que estava por vir. Inseparável dessa revelação do futuro
estava
a denúncia dos males do presente. O futuro previsto pelos profetas era quase
sempre
funesto, e assim o era porque os israelitas haviam caído em pecado, ao abandonarem
o monoteísmo exigi do por Deus. Atacar-lhes os pecados, portanto, era
uma
boa parcela da mensagem profética, sendo esses pecados parcialmente religiosos
e parcial
mente morais e sociais. Os profetas eram os principais defensores do monoteísmo
de Israel em sua forma mais primitiva, a interdição aos israelitas de adorarem
qualquer outro deus que não o deles, e, em sua forma posterior, a recusa de reconhecer
que quaisquer outros deuses, que não o deles, fosse, de fato, um deus. Os
profetas mais sombrios davam poucas esperanças quanto ao futuro, mas outros
proclamavam a compaixão de Deus para com os penitentes.
Os
profetas eram, ao mesmo tempo, críticos sociais que atacavam a má administração
e as injustiças, e que também denunciavam o materialismo dos poderosos e
ofereciam consolo aos pobres e aos oprimidos. Em termos sociais, eram reformistas
conservadores, cuja saudade de um estilo de vida já perdido, expressava-se num
avilta mento violentamente radical da degradação atual dos costumes.
Os
primeiros profetas foram homens de um talento especial, muito apreciado pelos
reis, como por exemplo: prever o desfecho de uma batalha na véspera. Pertenciam a
uma classe tão numerosa e próspera de visionários, que muitos não passavam de charlatães.
Embora alguns nomes tenham alcançado a posteridade, eles formavam uma categoria
profissional reconhecida, e não tipos isolados que os acidentes da preservação bibliográfica,
às vezes, os fazia parecer. Além de conselheiros dos reis, também podiam influir
na deposição de alguns e na promoção de outros. Foi o caso de Samuel, Natã, Elias
e Eliseu, arquitetos do reino de Israel. Ao insistirem na união das doze tribos
e na singularidade
do Deus de Israel, eles estabeleceram os pré-requisitos essenciais e as características
principais do impacto dos israelitas no mundo que os cercava. Suas atividades
encontram-se registradas na seqüência de Livros históricos, que abrange os Livros
I e II de Samuel e I e II de Reis, Seus sucessores mais recentes, a começar por
Amos, deram à religião de Israel um teor moral, transcendendo e até deplorando
sua natureza puramente ritualística. Três deles: Isaías, Jeremias e Ezequiel,
conquistaram a reputação de grandes profetas. Isaías viveu no século VIII a.C.,
Jeremias no século VII a.C. e Ezequiel no século VI a.C. As outras figuras
principais da primeira fase foram: Amos, Oséias e Miquéias.
Isaías,
o mais inspirador de todos os profetas, sob vários aspectos, foi contemporâneo
de Ezequiel. Todos os profetas posteriores foram profundamente afetados pelo cativeiro
e exílio na Babilônia, que os impeliu a um chauvinismo tacanho e vingativo, que
é evidente, por exemplo, em Ageu. Zacarias e Obadias.
Mais...
falando sobre este ministério, somos ainda contemporâneos de alguns profetas,
geralmente "homens comuns", dotados de um talento dado pelo próprio
Deus.
Talento
este, cujo preço a ser pago para ser exercido é muito alto, visto tamanha responsabilidade
que o envolve!
São
homens que não aceitam a corrupção eclesiástica, a fraqueza, no que tange a área
do desvio da santidade da Igreja de Cristo na Terra.
São
atalaias usando a trombeta de aviso, quando os inimigos estão aproximando-se
para destruir o bem maior de Deus na Terra, Sua Igreja.
São
"pastores", que zelam pelas ovelhas que vivem cercadas por lobos
vorazes e devoradores
que não têm piedade alguma.
São
homens e mulheres, consumidos pelo zelo da obra de Deus na Terra, que não aceitam
a imparcialidade no tratado de disciplina aos que lutam pelo reino na Terra.
São
pessoas que não se "conformam com uma comunidade desprovida da ação poderosa
de Deus, mas que anseiam pelo "fogo" do poder de Deus para alicerçar,
edificar, e dar crescimento à noiva de Cristo na Terra.
Em
muitos casos, são velhos que viram, ouviram, sentiram o mover de Deus e vivem
esta fase negra do cristianismo no mundo. Podem, às vezes, ser mulheres que, vendo
Deus, que não existem homens com coragem em determinado lugar, levantam-se a mando
do Senhor e fincam as raízes de uma Igreja verdadeira, nem que seja sob as palmeiras...
Também
podem ser jovens, que, tendo o sacerdote os próprios ouvidos tapados, e
Deus precisando falar, desperta o menor na casa dormindo, e chama-o pelo
nome...
Podem
ser crianças que, estando longe de sua terra, e querendo Deus enviar uma renovação
naquele lugar, e não tendo ninguém com coragem, levanta-as e usa-as para trazer
um príncipe ao Jordão barrento, para ser limpo da lepra, a chaga fatal!
São
seres humanos escolhidos por Deus para executarem uma grande tarefa espiritual. Na
realidade, são todos estes porta-vozes de Deus na Terra.
Extraído do Livro "Assassinos de profetas" - Pr. Marco Feliciano

