O fenômeno da mercancia
da fé é uma realidade bem atual da cristandade no Brasil. Pastores têm se
desvinculado de algumas estruturas eclesiásticas para criar ministérios
particulares. A partir daí tornam-se os donos da igreja; a igreja passa a ser
uma propriedade particular; o ministério da igreja torna-se um governo
dinástico, em que as esposas são pelos tais ordenadas e os filhos são os
sucessores imediatos.
Estão transformando o púlpito das igrejas em praça
de negócios e os crentes em consumidores. São obreiros fraudulentos,
gananciosos, avarentos e enganadores. São amantes do dinheiro e estão
embriagados pela sedução da riqueza. Pregam prosperidade e enganam o povo com
mensagens tendenciosas, para abastecer a si mesmos; correntes de libertação,
pregações triunfalistas com ênfase em prosperidade financeira e muitos milagres
são exibidos pelos “apóstolos” do momento.
“Ao contrário de muitos, não negociamos a Palavra
de Deus visando lucro; antes, em Cristo falamos diante de Deus com sinceridade,
como homens enviados por Deus” (II Co 2:17) - NVI. Alguns pregadores da época de Paulo eram “mascates”
ou “falsificadores da Palavra de Deus” que pregavam sem compreender a mensagem
do Senhor e sem se importar com o que acontecia com os seus ouvintes. Não
estavam preocupados em promover o Reino de Deus - queriam apenas dinheiro, e o
apóstolo Paulo sempre denunciou aquelas pessoas que estavam pregando a Palavra
de Deus visando apenas o enriquecimento.
Vivemos numa época em que a teologia da
prosperidade que faz comércio da Santa Palavra de Deus tomou níveis que nunca
imaginaríamos serem possíveis. Nunca os homens foram considerados tão grandes e
nunca Deus tão pequeno... Pregações simplesmente regadas de emocionalismo
deturpam os textos bíblicos; falsas profecias e pedidos aterradores de ofertas
são tão comuns hoje que, para muitos, essa só pode ser a realidade bíblica,
pois é o único tipo de pregação que vários crentes ouvem.
Precisamos de homens que se levantem
verdadeiramente como profetas de Deus, dispostos a confrontar esses (falsos)
pregadores que tentam seduzir as ovelhas de Cristo. Jesus disse: “Quão
dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!” Seus discípulos
ficaram espantados, tanto quanto ficariam hoje, frente ao “Movimento da
Prosperidade”. Então Jesus elevou ainda mais o espanto deles, dizendo: “É mais
fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino
de Deus”. Eles responderam em descrença: “Então, quem pode ser salvo?” Jesus
disse: “Para os homens é impossível; contudo, não para Deus, porque para Deus
tudo é possível” (Mc 10:23-27).
Isto significa que o espanto dos discípulos tinha
fundamento. Um camelo não pode passar pelo fundo de uma agulha. Isso não é uma
metáfora para algo que requer muito esforço ou humilde sacrifício. Não dá para
ser feito. Sabemos disto porque Jesus disse impossível! Foi a palavra dEle e
não a nossa. “Para os homens, é impossível”. O ponto é que a mudança de coração
exigida é algo que o homem não pode fazer por si mesmo. Deus precisa fazê-lo -
“... contudo, não [é impossível] para Deus”. Nós não conseguimos fazer o homem
parar de valorizar o dinheiro acima de Cristo. Mas Deus pode!
Não é errado para o pobre querer medidas de
prosperidade e obter o que precisa, expressar generosidade e ainda dedicar
tempo e energia às tarefas que exaltem a Cristo em vez de lutar apenas para
sobreviver. Não é errado buscar ajuda em Cristo para a obtenção do êxito. Ele
se importa com nossas necessidades (Mt 6:33). Mas todos nós - pobres e ricos -
estamos em constante perigo de firmar nosso amor e nossa esperança nas riquezas
ao invés de firmá-las em Cristo...
A teologia da prosperidade, à semelhança de outras
teologias recheadas de besteirol espalhadas por aí, identifica um ponto
biblicamente correto: o abstrai do contexto maior das Escrituras e o utiliza
como lente para reler toda a revelação, excluindo todas aquelas passagens que
não se encaixam. Ao final, o que temos é uma religião tão diferente do
Cristianismo contido na Bíblia que dificilmente pode ser considerada como tal.
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