4 – OS VALORES ÉTICOS E
MORAIS SENDO DESPREZADOS
A degradação
do ser humano passa da insensibilidade de não verificar mais a ética e a moral
das pessoas e olhar apenas os seus talentos e carismas sem nenhum caráter
cristão, até a mudança do modo natural d suas relações íntimas por outro
contrário à natureza (Rm 1.26-27).
Quando estudamos a vida
de alguns personagens bíblicos, como a de José ou de um dos hebreus cativos em
Babilônia, facilmente percebemos que eles viviam valores muito mais superiores
do que os dos egípcios e babilônicos (Gn 39.7-23; Dn 1.8-20; 3.1-30). Esses
servos de Deus eram capazes de transformar a sociedade pecadora em que viviam.
Porém, outros personagens abandonaram os valores morais das Sagradas Escrituras
e abraçaram os valores mundanos, como por exemplo, Sansão - no Antigo
Testamento (Jz 13-16), e, Demas, no Novo Testamento (2 Tm 4.10). Os valores
morais e religiosos desses personagens entraram em conflito com os da sociedade
de seu tempo. Infelizmente esses personagens não resistiram à tentação e
sucumbiram aos apelos do mundo. Paulo resume o apego de seu colaborador
com as seguintes palavras: “Pois Demas se apaixonou por este mundo”. Os
valores mundanos foram muito mais fortes do que aqueles cristãos estavam
dispostos a resistir. O processo como esse conflito tentador se desenvolve é
narrado em quatro passos em Tiago 1.14,15.
· Primeiro, surge um forte e mau
desejo para praticar o pecado (v.14).
· Segundo, esse sentimento
pecaminoso atua diretamente na vontade do indivíduo fazendo com que o pecado
nasça (v.15).
· Terceiro, uma vez nascido o
pecado, este desejo torna-se quase irresistível à vontade da pessoa que, a
partir de então, pratica o pecado, mesmo contrariando à sua consciência e os
valores morais aprendidos.
· O último passo é a conseqüência do
pecado. Uma vez consumado, gera a morte espiritual (v.15).
Tg 4.4: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade
do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do
mundo constitui-se inimigo de Deus”.
2 Pe 2.20-22: “Porquanto se, depois de terem escapado das
corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem
outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do
que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do
que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado; deste
modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao
seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama”.
4-1 – OS VALORES MORAIS NÃO
FAZEM MAIS DIFERENÇA
O pecado
os coloca em estado de cegueira e sem discernimento espiritual. Os dons e
talentos valem mais do que uma vida no altar de Deus. Não se engane! Em primeiro
lugar devemos viver uma vida santa e irrepreensível. O serviço cristão deve vir
depois do bom caráter (1Tm 3.2-10).
Os problemas que
enfrentamos em nossas igrejas hoje, tem como um de seus fatores, o esvaziamento
do discernimento espiritual. Estamos praticamente cegos, olhos com cataratas!
Escamas de pecado e mundanismo nos impedem de termos uma visão correta. É
lógico que o discernimento, compreensão e entendimento vêm de Deus (ver Pv
2.1-9, 1 Co 2.11-16). Só o Espírito Santo pode abrir nossos olhos (Jo 16.13).
Só Ele pode retirar as trevas e nos iluminar à vontade de Deus, o que faz
juntamente com a Palavra escrita de Deus. Mas os crentes também têm
responsabilidade! Cada crente verdadeiro já foi exortado a ungir os olhos com
colírio (Ap 3.18) e andar na luz (Jo 12.35, 1 Jo 1.7). Cada crente é exortado a
ouvir a Palavra de Deus. Quando uma pessoa salva não tem sabedoria nem
entendimento sobre o que fazer em qualquer situação em particular; quando não
pode discernir o caminho certo, sua responsabilidade é buscar as Escrituras
diariamente e esperar no Senhor em oração.
4-2 – AS ESCOLHAS DE LÍDERES
ECLESIÁSTICOS SEGUEM OUTROS PARÂMETROS
Por questões
de valores e crenças recebidas por influências ou por conveniências (Gl 4.3). Pessoas
sem nenhuma condição moral assumem posições de destaque no meio cristão. Por quê?
Talvez porque muitos não conhecem a real situação das pessoas.
Com o alvo de ter mais seguidores, as inúmeras
denominações evangélicas que estão sendo criadas diariamente apresentam
doutrinas que, na sua maioria, não têm nenhum embasamento bíblico, querendo
anunciar um evangelho fácil e prático, que não exige nenhum tipo de sacrifício,
nem dedicação. Não batas apenas declarar para as coisas acontecerem. Segundo a
Bíblia, é preciso bater e a porta se abre, é preciso pedir e irá alcançar, (Mt
7.3). Neste emaranhado de ensinos heréticos, como, por exemplo, a doutrina da
prosperidade, em que o crente não passa por tribulações. Mas Jesus declarou: “Estas
coisas vos tenho dito para que em mim tenhais paz. No mundo tereis aflições,
mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33).
4-3 – O DESPREZO DO
CONHECIMENTO DE DEUS POR TÉCNICAS HUMANAS
O home
tem-se afastado de Deus perdendo a noção do que é verdadeiro (Ef 2.12). O
cristianismo genérico traz conceitos distorcidos da doutrina bíblica. Usam técnicas
psicoterapêuticas de neurolinguística (A
neurolinguística é a disciplina que estuda os mecanismos do cérebro humano que
possibilitam a compreensão, a produção e o conhecimento da linguagem, tanto
falada como escrita) para
influência mental e sugestiva; estudam o comportamento do ser humano para
atrair as pessoas e mexer com suas emoções. Hoje, em muitos lugares, não é mais
a Palavra de Deus que toca as pessoas, mas a desenvoltura do pregador com as
suas manobras. A falta de ética fundamentada em nome do amor, da aceitação de
uma “teologia” manipuladora, corrupta, não comprometida com o Reino de Deus
passa a envergonhar o Evangelho.
Desprezar os valores éticos morais é um grande equívoco,
principalmente da parte dos líderes eclesiásticos. Quando apoiamos ou ficamos
do lado de pessoas sem os pré-requisitos requeridos pela Palavra de Deus,
estamos dizendo que somos iguais a eles. Deixar de olhar os valores ou
colocá-los em segundo plano não é somente inversão, mas falta de dignidade
cristã.
2 Co 10.5: “Destruindo os conselhos, e toda a altivez que
se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento
à obediência de Cristo”.
Cl 1.10: “Para que possais andar dignamente diante do
Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento
de Deus”.
2 Co 4.6: “Porque Deus, que disse que das trevas
resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação
do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo”.
Ef 4.13: “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao
conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa
de Cristo”.
Cristianismo genérico é
o evangelho que foge ao genuíno ensino doutrinário das Escrituras. Usam
técnicas e conhecimentos humanos para atrair pessoas e converte-las. Esquecendo
que quem convence o homem do pecado, juízo e da justiça é o Espírito Santo (Jo
16.8), e nós, o que fazemos? Continuamos com a simplicidade do Evangelho de
Cristo e cumprindo a nossa grande comissão, evangelizando e ensinando (Mc 16.15;
Mt 28.20); assim fazendo temos fé que o Senhor há de acrescentar aqueles que
hão de ser salvos (At 2.47).
CONCLUINDO: No
mundo atual, a maioria dos cristãos abraça a pós-modernidade com suas
concepções iníquas, ficando, dessa forma, insensíveis diante das coisas divinas
e agindo na contramão bíblica. A inversão de valores espirituais está se
tornando um doença crônica no meio evangélico, principalmente por uma corrente
teológica de uma ala dos neo-pentecostais.
Neo-pentecostalismo - é o nome que se dá aos pentecostais da
terceira geração. São assim chamados porque diferem muito dos pentecostais históricos
e dos da segunda geração. Realmente é um novo pentecostalismo. Não se apegam a
questão de roupas, de televisão, de costumes, e tem um jeito diferente de falar
sobre Deus. Dualizam o mundo espiritual dividindo-o entre Deus e o diabo. Para
eles o mundo está completamente tomado por demônios, e é sua função
expulsá-los. Pregam a prosperidade como meio de vida. Pobreza é coisa de
Satanás. Doença só existe em quem não acredita em Deus e sua origem é o
demônio. Seus cultos são sempre emotivos objetivando uma libertação do mundo
satânico. Em muitos pontos pode-se dizer que suas doutrinas são bem parecidas
com as doutrinas das religiões orientais, tais como seicho-no-ie, hinduísmo e
budismo. Para eles o crente não pode sentir dor, ser pobre ou estar fraco.
Este movimento começou
no início da década de setenta. Seu crescimento deve-se muito aos programas de
rádio e televisão, nos quais, devido ao anúncio de curas e milagres, tiveram
uma grande audiência. Seus ouvintes e telespectadores geralmente são recrutados
para dentro de suas igrejas. O sistema de testemunho é forte, e isso certamente
encoraja outros a tomar o mesmo caminho.
Pós-modernidade - Pós do mundo moderno está querendo dizer que
estamos vivendo em uma sociedade que vem, de algum fora, “depois” do mundo
moderno.
Modernismo - Conjunto de idéias dos séculos XVII e XVIII,
ligados ao assim chamado iluminismo. O movimento afirmava que o homem havia
amadurecido e não precisava mais de idéias “tolas” e infantis como
acreditar em Deus. Liberdade! Agora só precisamos de pensar e estamos
livres da opressão da religião, pensavam. Assim vivam a luz do racionalismo.
Como esta visão começou a desmoronar e o homem viu que viver apenas da razão
intelectual não adiantou, começamos a viver a era pós-moderna. Agora não
acreditam mais em uma verdade absoluta, o ser humano precisa mais que conceitos
prontos. Entramos na “era do relativismo”, tudo depende de
um ponto de vista.
Essa terrível era tem
contaminado muitos homens que são chamados de cristãos.
Nossa oração é que Deus
nos mantenha no absoluto de sua Palavra: Seguindo a Cristo: O Caminho, a Verdade
e a Vida (Jo 4.16).
Editora Betel - 2011 - Nº 79


