Preservando a
Identidade da Igreja
Texto base:
“Mas
temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também
sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da
simplicidade [alguns manuscritos acrescentam: e da pureza] que há em
Cristo” (2Co 11.3). – Paulo, como um pastor zeloso, teme que seus
convertidos se afastem de Cristo, assim como Eva foi enganada por Satanás e
afastou-se de Deus. Ele sabia que os falsos apóstolos eram uma perigosa ameaça
espiritual, comparável à Serpente de Gênesis. Seus ensinamentos pareciam bons,
mas na realidade corrompiam a mensagem do evangelho com suas inserções humanas,
filosóficas e gnósticas de apego a exigências legalistas e de concessões (2Co
3.6; 6.14-7.1; 10.5). Esse perigo não ficou restrito àquela época da Igreja,
ele é tão real hoje quanto foi para a Igreja de Corinto. Por isso, a
advertência de Paulo deve ser o norteador de todo crente para não se apartar da
simplicidade e da pureza que há em Cristo.
Verdade Prática
Só existe um meio de a Igreja de Cristo
preservar a sua identidade como a agência por excelência do Reino de Deus:
obedecer amorosa e incondicionalmente a Bíblia Sagrada.
Leitura Bíblica:
Atos 20.25-32
IDENTIDADE
Conjunto de caracteres próprios e
exclusivos de uma pessoa.
I.
Introdução:
Quais os perigos que têm ameaçado a
Igreja e desfalcado a sua característica como embaixada do Reino? É
significativo que a primeira vez em que os seguidores de Cristo foram chamados
de ‘cristãos’ foi justamente por se parecerem com Cristo – ‘aqueles que seguem
a Cristo’, isso porque tudo o que tinham em comum era Cristo; não se
identificavam pela naturalidade, pela cultura ou pela língua que falavam. Para
aquela Igreja, ser Cristão era pertencer a Cristo, ainda que esse epíteto fosse
inicialmente ‘pejorativo’, tornou-se o designativo de um povo realmente chamado
para fora do mundo e esse termo, ou aquele que o mundo hoje escolheu para nós -
crentes (também pejorativo) – é o mais supremo nome que o ser humano pode levar
na terra: ‘Cristão’! É primordial que tenhamos o zelo de manter as
características de verdadeiros seguidores de Jesus Cristo para não sermos
identificados pelo que temos, ou pela posição que ocupamos, ou pelo conjunto de
regras e doutrinas que defendemos, mas sim pelo amor a Deus e o zelo pela
Palavra, pela simplicidade e pela pureza que há em Cristo.
I. O QUE É A IGREJA
1. Definição. ‘ekklesia’, formado
de ek, ‘para fora de’, e klesis, ‘chamado’; no
singular kaleõ, ‘chamar’. Entre os gregos era usado para descrever
um grupo de cidadãos reunidos com a finalidade de discutir os assuntos do
estado, como em At 19.39. O grupo de 72 sábios judeus que traduziram as
Escrituras hebraicas para o grego utilizou o termo para designar o ‘ajuntamento
de Israel’, quando convocado para qualquer propósito definido. O uso nos
evangelhos tem duas aplicações possíveis: ao grupo inteiro dos redimidos ao
longo da era atual, acerca do qual Jesus disse: ‘...edificarei a minha Igreja’
(Mt 16.18) e que na teologia desenvolvida por Paulo é descrito como ‘igreja,
que é o seu corpo’, a Igreja universal (Ef 1.22, 23; 5.23); outro sentido
quando utilizado no singular para referir-se a um grupo formado por crentes
professos, como em Mt 18.17, e no plural, diz respeito às igrejas num distrito[1]. Ekklesia diz
respeito ao conjunto de pessoas convocadas por Deus através da morte de Cristo
como cidadãos do Reino (Ef 2.19; 1Pe 1.18,19) com o intuito de adorar a Deus;
já não pertencem a esse mundo e têm como princípio viver e cultivar uma
comunhão real e pessoal com Deus, proclamando-O através do testemunho pessoal e
da pregação do Evangelho (Hb 13.12-14; 1Pe 2.5). No Novo testamento, Jesus foi
o primeiro a fazer uso do termo ekklesia e ele a aplicou ao
grupo dos que se reunião em torno dele e reconheceram-no publicamente como seu
Senhor e aceitaram os princípios do Reino de Deus (Mt 16.18). A sobrevivência
da Igreja contra todas as hostilidades e perigos é garantida nas palavras de
Jesus em Mt 16.18: ‘Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas
do inferno não prevalecerão contra ela’.
2. As
duas principais dimensões da Igreja. Estamos acostumados a
pensar em Igreja como instituição por herança romana. Biblicamente, a Igreja é
um organismo vivo, é tanto invisível como visível. O Comentarista da lição
definiu como divina e terrena. Entendemos por Igreja invisível o conjunto dos
crentes verdadeiros, unidos por sua fé em Cristo, é a Igreja Triunfante; Igreja
visível consiste de congregações locais, a Igreja militante, composta por
crentes fiéis (Ap 2.11, 17, 26); a Igreja é visível na profissão de fé e
conduta cristã, no ministério da Palavra e Ordenanças, e na organização externa
e seu governo. É digno de nota que, alguns que pertencem à Igreja visível, a
Igreja Militante, nunca se tornem membros da organização invisível, Igreja
triunfante, por não possuírem uma fé genuína. Dizem que Lutero foi o primeiro a
fazer esta distinção, mas é certo que outros reformadores também conheciam essa
afirmativa e a aplicaram à Igreja como dois aspectos da única Igreja de Jesus
Cristo.
3. Sua
identidade. O ponto de partida necessário no estudo do tema ‘o
Reino de Deus’ é Gn 1.1, onde a soberania de Deus é descrita em forma de
domínio, reino e regência ao utilizar o termo hebraico ‘bara’ (criou). Ele é
soberano sobre toda a criação e a Igreja é o modo visível dessa soberania; a
Igreja é o templo de Deus e do Espírito Santo e isso requer dela separação da
iniqüidade e da imoralidade. Particularmente, creio que Deus como regente,
criou a Igreja e a rege segundo seu beneplácito e como afirmou Jesus em Mt
16.18, nada impedirá sua expansão e convocação daqueles que hão de salvar-se.
Contudo, aos que foram alcançados e fazem parte da Igreja militante, cabe a
tarefa de sustentar a verdade e conservá-la íntegra, defendendo-a contra os
deturpadores e os falsos mestres (Fp 1.17). É relevante citar aqui que, a
Igreja visível é composta por crentes fiéis, mas abriga também crentes falsos
(Ap 2.2), caídos (Ap 2.5), espiritualmente ‘mortos’ (Ap 3.1) e os mornos (Ap
3.16). A parábola da rede (Mt 13.47) revela a verdade enfatizada por Jesus que
nem todos os que estão no Reino, na Igreja visível, são verdadeiramente filhos
de Deus. Isto é especialmente verdadeiro quando contemplamos igrejas locais e
denominações que já não renunciam a tudo em prol de um único interesse supremo,
Cristo (Rm 12.1), que já não vivem nem pregam o genuíno evangelho. A identidade
da Igreja que se pensa representante do Reino deve ser uma vida santa e
irrepreensível, receptividade à operação do Espírito Santo, o ensino da sã
doutrina e guardar a fé (1Tm 4.12,13,15,16; 6.20; 2Tm 1.13,14; 3.13-15).
A Igreja é um
organismo vivo. Ela é formada por pessoas de
diferentes raças, línguas, culturas e cor que aceitaram a Cristo como Salvador.
Continua...
CPAD - 2011


