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    PERDENDO A IDENTIDADE CRISTÃ - Parte 1/7

    Preservando a Identidade da Igreja
    Texto base:
    Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade [alguns manuscritos acrescentam: e da pureza] que há em Cristo” (2Co 11.3). – Paulo, como um pastor zeloso, teme que seus convertidos se afastem de Cristo, assim como Eva foi enganada por Satanás e afastou-se de Deus. Ele sabia que os falsos apóstolos eram uma perigosa ameaça espiritual, comparável à Serpente de Gênesis. Seus ensinamentos pareciam bons, mas na realidade corrompiam a mensagem do evangelho com suas inserções humanas, filosóficas e gnósticas de apego a exigências legalistas e de concessões (2Co 3.6; 6.14-7.1; 10.5). Esse perigo não ficou restrito àquela época da Igreja, ele é tão real hoje quanto foi para a Igreja de Corinto. Por isso, a advertência de Paulo deve ser o norteador de todo crente para não se apartar da simplicidade e da pureza que há em Cristo.
    Verdade Prática
    Só existe um meio de a Igreja de Cristo preservar a sua identidade como a agência por excelência do Reino de Deus: obedecer amorosa e incondicionalmente a Bíblia Sagrada.

    Leitura Bíblica: 
    Atos 20.25-32 


    IDENTIDADE
    Conjunto de caracteres próprios e exclusivos de uma pessoa. 

    I. Introdução:

    Quais os perigos que têm ameaçado a Igreja e desfalcado a sua característica como embaixada do Reino? É significativo que a primeira vez em que os seguidores de Cristo foram chamados de ‘cristãos’ foi justamente por se parecerem com Cristo – ‘aqueles que seguem a Cristo’, isso porque tudo o que tinham em comum era Cristo; não se identificavam pela naturalidade, pela cultura ou pela língua que falavam. Para aquela Igreja, ser Cristão era pertencer a Cristo, ainda que esse epíteto fosse inicialmente ‘pejorativo’, tornou-se o designativo de um povo realmente chamado para fora do mundo e esse termo, ou aquele que o mundo hoje escolheu para nós - crentes (também pejorativo) – é o mais supremo nome que o ser humano pode levar na terra: ‘Cristão’! É primordial que tenhamos o zelo de manter as características de verdadeiros seguidores de Jesus Cristo para não sermos identificados pelo que temos, ou pela posição que ocupamos, ou pelo conjunto de regras e doutrinas que defendemos, mas sim pelo amor a Deus e o zelo pela Palavra, pela simplicidade e pela pureza que há em Cristo.

    I. O QUE É A IGREJA
    1. Definição. ‘ekklesia’, formado de ek, ‘para fora de’, e klesis, ‘chamado’; no singular kaleõ, ‘chamar’. Entre os gregos era usado para descrever um grupo de cidadãos reunidos com a finalidade de discutir os assuntos do estado, como em At 19.39. O grupo de 72 sábios judeus que traduziram as Escrituras hebraicas para o grego utilizou o termo para designar o ‘ajuntamento de Israel’, quando convocado para qualquer propósito definido. O uso nos evangelhos tem duas aplicações possíveis: ao grupo inteiro dos redimidos ao longo da era atual, acerca do qual Jesus disse: ‘...edificarei a minha Igreja’ (Mt 16.18) e que na teologia desenvolvida por Paulo é descrito como ‘igreja, que é o seu corpo’, a Igreja universal (Ef 1.22, 23; 5.23); outro sentido quando utilizado no singular para referir-se a um grupo formado por crentes professos, como em Mt 18.17, e no plural, diz respeito às igrejas num distrito[1]Ekklesia diz respeito ao conjunto de pessoas convocadas por Deus através da morte de Cristo como cidadãos do Reino (Ef 2.19; 1Pe 1.18,19) com o intuito de adorar a Deus; já não pertencem a esse mundo e têm como princípio viver e cultivar uma comunhão real e pessoal com Deus, proclamando-O através do testemunho pessoal e da pregação do Evangelho (Hb 13.12-14; 1Pe 2.5). No Novo testamento, Jesus foi o primeiro a fazer uso do termo ekklesia e ele a aplicou ao grupo dos que se reunião em torno dele e reconheceram-no publicamente como seu Senhor e aceitaram os princípios do Reino de Deus (Mt 16.18). A sobrevivência da Igreja contra todas as hostilidades e perigos é garantida nas palavras de Jesus em Mt 16.18: ‘Sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela’.

    2. As duas principais dimensões da Igreja. Estamos acostumados a pensar em Igreja como instituição por herança romana. Biblicamente, a Igreja é um organismo vivo, é tanto invisível como visível. O Comentarista da lição definiu como divina e terrena. Entendemos por Igreja invisível o conjunto dos crentes verdadeiros, unidos por sua fé em Cristo, é a Igreja Triunfante; Igreja visível consiste de congregações locais, a Igreja militante, composta por crentes fiéis (Ap 2.11, 17, 26); a Igreja é visível na profissão de fé e conduta cristã, no ministério da Palavra e Ordenanças, e na organização externa e seu governo. É digno de nota que, alguns que pertencem à Igreja visível, a Igreja Militante, nunca se tornem membros da organização invisível, Igreja triunfante, por não possuírem uma fé genuína. Dizem que Lutero foi o primeiro a fazer esta distinção, mas é certo que outros reformadores também conheciam essa afirmativa e a aplicaram à Igreja como dois aspectos da única Igreja de Jesus Cristo.

    3. Sua identidade. O ponto de partida necessário no estudo do tema ‘o Reino de Deus’ é Gn 1.1, onde a soberania de Deus é descrita em forma de domínio, reino e regência ao utilizar o termo hebraico ‘bara’ (criou). Ele é soberano sobre toda a criação e a Igreja é o modo visível dessa soberania; a Igreja é o templo de Deus e do Espírito Santo e isso requer dela separação da iniqüidade e da imoralidade. Particularmente, creio que Deus como regente, criou a Igreja e a rege segundo seu beneplácito e como afirmou Jesus em Mt 16.18, nada impedirá sua expansão e convocação daqueles que hão de salvar-se. Contudo, aos que foram alcançados e fazem parte da Igreja militante, cabe a tarefa de sustentar a verdade e conservá-la íntegra, defendendo-a contra os deturpadores e os falsos mestres (Fp 1.17). É relevante citar aqui que, a Igreja visível é composta por crentes fiéis, mas abriga também crentes falsos (Ap 2.2), caídos (Ap 2.5), espiritualmente ‘mortos’ (Ap 3.1) e os mornos (Ap 3.16). A parábola da rede (Mt 13.47) revela a verdade enfatizada por Jesus que nem todos os que estão no Reino, na Igreja visível, são verdadeiramente filhos de Deus. Isto é especialmente verdadeiro quando contemplamos igrejas locais e denominações que já não renunciam a tudo em prol de um único interesse supremo, Cristo (Rm 12.1), que já não vivem nem pregam o genuíno evangelho. A identidade da Igreja que se pensa representante do Reino deve ser uma vida santa e irrepreensível, receptividade à operação do Espírito Santo, o ensino da sã doutrina e guardar a fé (1Tm 4.12,13,15,16; 6.20; 2Tm 1.13,14; 3.13-15).


    A Igreja é um organismo vivo. Ela é formada por pessoas de diferentes raças, línguas, culturas e cor que aceitaram a Cristo como Salvador. Continua...
    CPAD - 2011
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