II. A PRESERVAÇÃO DA IDENTIDADE
DA IGREJA
1. Na pregação e no ensino do evangelho. A
parte central das últimas instruções de Jesus aos discípulos, antes de sua
ascensão, foi a ordem de evangelizar o mundo e fazer novos discípulos (Mt
28.19; At 1.8). A tarefa da evangelização ainda faz parte imperativa da missão
da Igreja, ela é chamada a ser uma comunidade evangelizadora [2]. Louis
Berkhof em sua Teologia Sistemática falando acerca das marcas distintivas da
Igreja assevera: “A fiel pregação da Palavra. Esta é a mais importante marca da
Igreja. [...] A fiel pregação da Palavra é o grande meio para a manutenção da
Igreja e para habilitá-la a ser a mãe dos fiéis. Que esta é uma das
características da Igreja transparece em passagens como Jo 8.31, 32, 47; 14.23;
1Jo 4.1-3; 2Jo 9” [3]. A Grande Comissão foi dada pela autoridade de
Cristo, posto que seu domínio é universal, o evangelho deve ir ao mundo
inteiro. Cristo morreu em sacrifício vicário – no lugar de – pecadores de todas
as nações. Assim, devemos avançar e conquistar novos discípulos, e isso não é
uma opção, é uma obrigação de todo aquele que se diz cristão; não somos todos
evangelistas no sentido formal do termo, mas todos temos recebido os dons
necessários para ajudar a realizar essa que é a obra primaz da Igreja - esse
imperativo de Jesus é a razão primária de ser Igreja!
2. No amor cristão. Jesus
afirmou que nosso amor cristão mostrará que somos seus discípulos (Jo
13.34,35). As pessoas não regeneradas vêem dissensões, ciúme e divisão em nossa
Igreja ou reconhecem-nos como seguidores de Jesus pelo amor que demonstramos
uns aos outros? Essas coisas são essenciais à salvação e à preservação da
identidade da Igreja. O caminho para o Reino dos céus se dá mediante a simples
confiança e dependência de uma criança; e o caminho para a grandeza acontece
através da humildade de uma criança, expressa pelo serviço modesto (Mt
18.1-55). O amor cristão é mais do que um sentimento de afeto, é uma atitude
que se expressa através do serviço desinteressado. O amor cristão tem no amor
sacrificial de Cristo o seu modelo e a comunidade de crentes como o primeiro
lugar onde esse amor se expressa (Gl 6.10; Ef 5.25). É digno de nota que o amor
é a condição sine qua nom para o exercício apropriado de qualquer dom
(1C0 13.1).
3. Na defesa da fé. Dave
Hunt em seu livro “Em Defesa da Fé”, editado pela CPAD, inicia com essa
assertiva: “Se perguntássemos à maioria das pessoas a razão por que crêem,
muitas delas teriam dificuldade de oferecer uma base sólida para sua opinião” [4].
Paulo preocupado com as raízes pouco profundas de seus convertidos escreve 1Tm
6.3-5 onde retorna pela última vez ao problema dos falsos mestres, destacando
especialmente sua tendência de causar divisões e sua ganância. Isso leva-nos a
refletir sobre a perspectiva correta que se deve ter em relação à segurança da
fé que temos abraçado. É bom lembrar que, a boa compreensão dos pontos
teológicos mais difíceis não deve servir de base para que alguém queira pensar
de si mesmo como um privilegiado, mas sim, co-responsável com os demais mestres
da Igreja pelo fortalecimento doutrinário da congregação. Muitos crentes
aceitam o que é divulgado pela mídia como se ela não cometesse erros e
estivesse livre de preconceitos, isso vale também para o que é ensinado como
teologia cristã; é preciso ter cuidado com o que estamos estudando e passando
para nossos alunos, ao mesmo tempo, termos o maior cuidado de estarmos certos
de que as respostas às quais chegamos são válidas, alicerçadas na Bíblia.
Importante destacar que, o crente deve estar sempre pronto para dar uma
resposta branda e respeitosa quando for pedido a razão de sua fé (1Pe 3.15).
Quanto à pregação da Palavra em Igrejas quaisquer ter que ser perfeita para que
ela seja considerada verdadeira é um ideal inatingível na terra, isso porque só
se pode atribuir à Igreja uma relativa pureza doutrinária. Louis Berkhof afirma
que “uma Igreja pode ser relativamente impura em sua apresentação da verdade,
sem deixar de ser uma Igreja verdadeira. Mas há um limite além do qual a Igreja
não pode ir, na apresentação errônea da verdade ou em sua negação, sem perder o
seu verdadeiro caráter e tornar-se uma Igreja falsa. É o que acontece quando
artigos fundamentais de fé são negados publicamente, e a doutrina e a vida já
não estão sob o domínio da Palavra de Deus” [5].
A
Igreja deve preservar a sua identidade, pregando e vivendo a
Palavra de Deus, amando ao próximo e lutando contra as distorções das Sagradas
Escrituras.
Continua...


