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    Você tem FÉ? De que tipo é a sua? Continuação

    Fé e obras. Tiago 2.20-26 – Aprendemos com Tiago nesta passagem, a diferença entre a fé passiva ou intelectual e a fé ativa. Na primeira, tudo o que acontece é uma crença superficial de que Deus tem poder e já operou grandes maravilhas no meio de seu povo, mas não há experiências próprias ou alguma iniciativa de viver o sobrenatural de Deus; nessa fé somos apenas espectadores. Com a fé ativa por outro lado, não apenas cremos que Deus pode fazer todas as coisas, mas vivemos e agimos de forma sobrenatural, ou seja, pomos em ação a fé de que Deus já está operando o milagre; nossa fé é acompanhada de atitudes que evidenciam o quanto cremos na providência divina; esse tipo de fé é confirmado pelas obras.

    A Bíblia relata inúmeros exemplos de pessoas que exerceram a fé ativa confirmando-a com suas obras; não apenas creram, mas puseram em prática sua confiança em Deus e alcançaram a promessa. Vejamos o caso de Josué que recebeu uma palavra da parte de Deus de que tomaria a cidade de Jericó transpondo suas muralhas (Js 6.1-5). Ao receber a palavra não ficou de braços cruzados pra ver o que aconteceria, mas pôs a fé em prática marchando na certeza de que no tempo determinado por Deus as muralhas ruiriam (Js 6.6-20). Outra ocasião exemplar na carreira de Josué entre tantas relatadas nas Escrituras se encontra no capítulo 10, versos 12 aos 14; quando ousadamente ordena ao sol e à lua que não continuem seu ciclo diário até que tenha se vingado de seus inimigos; é importante notar que ele não disse isso e ficou esperando uma confirmação, pelo contrário, continuou lutando na certeza de que ele em si jamais poderia realizar coisa semelhante, mas servia ao Deus que tem todo o poder, em cujas mãos entregou o que lhe era impossível. Sua fé foi tamanha que as Escrituras afirmam que jamais ouve um dia semelhante aquele, ouvindo o Senhor a voz de um homem (Js 10.14).

    O profeta Elias também nos dá vários exemplos de uma fé ativa acompanhada de obras; seu ministério foi marcado por exercitar uma fé sobrenatural. Ao anunciar o juízo divino sobre o reinado de Acabe, com base no conhecimento que tinha de Deus anunciou que não cairia orvalho nem chuva senão segundo a sua palavra, o que de fato aconteceu (1Rs 17.1). Em outra circunstância anunciou que se Deus fosse real como ele pregava, estando acima de todos os falsos deuses que o povo adorava, fogo cairia do céu e consumiria o holocausto. Ele estava certo de que seria atendido por Deus, mas sua fé estava acompanhada de obras, e podemos listar sete passos de fé antes de ver o milagre: 1- separou o bezerro, 2- reparou o altar, 3- tomou doze pedras representando as doze tribos de Israel, 4- cavou uma valeta ao redor do altar, 5- armou a lenha sobre o altar, 6- dividiu o bezerro em pedaços e o pôs sobre a lenha, 7- encharcou a lenha, o holocausto e encheu a valeta ao redor do altar com água até transbordar. Sete atitudes de fé antes de o fogo cair (1Rs 18.22-38); a isto chamamos de “fé e obras”.

    Além dos famosos personagens bíblicos, que são muitos, tais como Abel, Noé, Abraão, Moisés, Davi e outros, encontramos também esse tipo de fé na vida de pessoas anônimas, que mesmo sem terem seus nomes citados ou históricos familiares, entraram na história deixando seu exemplo de fé acompanhada de obras. Ainda no ministério de Elias encontramos uma mulher conhecida nas Escrituras como “a viúva de Sarepta”. Ao ser enviado por Deus a casa dessa mulher, Elias a encontra numa situação lastimável, prestes a preparar sua última refeição, em que ela e seu filho comeriam e aguardariam a morte. 
    Mas o homem de Deus lança uma palavra profética acompanhada de uma promessa; pediu pra que ela preparasse primeiramente para ele um bolo e não faltaria alimento em sua casa. Ela creu na palavra e agiu conforme sua fé; decidiu pôr em prática o que ouviu, confiando na palavra do profeta. Quando sua fé foi confirmada pelas suas obras, ela pode viver no sobrenatural de Deus; a farinha da panela não se acabou e o azeite da botija não faltou (1Rs 17.12-16).


    Ainda na lista dos anônimos do Antigo Testamento encontramos uma mulher conhecida como “uma mulher das mulheres dos filhos dos profetas” (2Rs 4.1); esta encontrava-se endividada após a morte de seu marido, a qual teria seus filhos levados pelos credores como pagamento da dívida; ela apelou para o profeta Eliseu e pediu uma solução pro seu problema. Ao certificar-se do que ela tinha em casa, que era apenas uma botija de azeite (2Rs 4.2), Eliseu lhe entrega uma palavra de orientação (2Rs 4.3-4). Ao receber a revelação profética, ao invés de cruzar os braços, pegar um lencinho e ficar num cantinho se lamentando, ela tomou a iniciativa de pôr a fé em prática e mover-se em direção à providência divina. Três foram os passos dados por ela, reconhecidos como obras: 1- Saiu a pedir vasos emprestados pela vizinhança, 2- Fechou-se em seu quarto com os filhos e 3- Derramou o azeite nos vasos. O resultado foi a providência divina ao multiplicar o azeite através da fé confirmada pelas obras (2Rs 4.5-7). Poderíamos discorrer pelas Escrituras Sagradas a respeito desse tipo de fé através dos inúmeros personagens que experimentaram o poder de uma fé sobrenatural, ou seja, fé com obras. Está registrada em Hebreus 11.4-34 uma lista de homens e mulheres que puseram sua fé em ação e entraram na história dos heróis, ficando como exemplos a cada um de nós. Crer é o primeiro passo para se alcançar o milagre, o passo conclusivo é pôr em prática aquilo que ouvimos de Deus. Continua...
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