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    Ministério e Família - O Conflito

    CAPÍTULO V – Os Pais são os espelhos dos filhos

    Ao recitar provérbios 22.6 Salomão tenta incutir em nossos corações duas verdades extremamente importantes para nós, a profunda dependência que os filhos têm de seus pais e a responsabilidade dos pais em tornarem-se espelhos aos seus filhos, jamais se esquecendo de que estes são herança do Senhor (Sl 127.3 - Eis que os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão).
    Quando um obreiro se torna negligente quanto à formação do caráter de seus filhos, estará comprometendo catastroficamente o futuro dos mesmos, pois tudo o que fazemos ou negligenciamos em sua infância refletirá em sua velhice.
    Alguns de nós estamos nos tornando como Davi; obreiros espetaculares, pregadores de multidões, restauradores de casamentos a beira da falência; conseguimos atrair centenas de pessoas à igreja, ser admirados pelo rol de membros, porém deixando dentro de nossas casas um vazio profundo no seio familiar, tanto como pais quanto como esposos. Assim era Davi, um exímio guerreiro fora de casa, mas um miserável no ambiente familiar. Isso reflete a vida de muitos de nós, ministros do Senhor; muitas vezes na igreja, pregando um sermão eloqüente, demonstrando nossa profundidade e preparo teológicos e eclesiásticos, mas em casa, vivendo um verdadeiro drama.
    Conhecemos minuciosamente a agenda da igreja, sabemos de cada programação, nos desgastamos em projetos de arrecadação de verbas para as melhorias da “obra”, deixamos de almoçar com os filhos e esposa por fazer uma visita àqueles que precisam vir à igreja no domingo; mas não nos lembramos da data de aniversário dos filhos, data de casamento, o dia da formatura e até fazemos programações “da igreja” que acabam chocando com as “da família”, e por sermos “ministros” acabamos por optar em pôr “a obra em primeiro lugar”. Quantas vezes conseguimos manter nossas igrejas lotadas, mas nossas famílias vazias de nossa presença, e por que não dizer até mesmo nossas camas vazias de nós, pois ás vezes o conflito se torna tão intenso que o casamento entra em colapso e muitas vezes estamos até mesmo dormindo em camas separadas.
    Será que poderíamos dizer que isso é o preço que se paga por ser “escolhido de Deus”?

    Bem, o Deus que eu conheço jamais se alegraria ao ver uma família à beira da falência pelo fato de manter uma igreja cheia de pessoas alheias; tenho plena convicção de que se eu perguntasse a Deus sobre sua preferência em minha vida quanto à família ou ministério Ele diria com certeza pra que eu priorizasse a família caso não conseguisse conciliar os dois. E em meu lugar poria alguém solteiro ou alguém que pudesse fazer essa conciliação. Continua...
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