“E, no dia seguinte, quando saíram de
Betânia, teve fome.
E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela acharia alguma
coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas, porque não era tempo de
figos.
E Jesus, falando, disse à figueira: Nunca mais coma alguém fruto de ti. E os
seus discípulos ouviram isto.
E eles, passando pela manhã, viram que a
figueira se tinha secado desde as raízes”. Marcos
11:12-14,20
Este
texto bíblico nos deixa assombrados com a atitude de Jesus ante essa figueira;
existem muitas sugestões e especulações sobre o porquê de o Senhor ter
amaldiçoado essa árvore a qual aparentemente estaria inocente de sua falta de
frutos.
Mas
devemos ter em mente que Jesus não brincava de fazer milagres e operar sinais e
maravilhas, assim como não brincava de ser o Filho de Deus e tão pouco brincava
de ser o Redentor do mundo. Todos os seus atos e atitudes, assim como suas
palavras possuíam profundos significados, alguns para os dias imediatos à sua
vida terrena, outros com significados futuros, como a salvação dos povos
gentios ou até significados escatológicos, como o arrebatamento, o Milênio, o Juízo
final e a eternidade no céu ou no inferno.
Portanto
devemos desconsiderar que Jesus estivesse irado com essa figueira ou que nessa
situação estivesse estressado por estar com fome e que num ímpeto de fúria
lançou uma maldição contra aquela árvore.
Muitas lições
poderíamos tirar dessa passagem, assim como poderíamos dar várias sugestões quanto
ao seu significado; deixo claro que não sou dono da verdade e nem tenho a
conclusão absoluta do assunto, mas desejo compartilhar com os irmãos aquilo que
pude absorver enquanto lia e refletia sobre este texto e fico aberto a
sugestões e comentários que queiram compartilhar.
1ª Sugestão – Ao analisar
o texto de forma geral, podemos perceber que Jesus estava vivendo seus últimos
dias na terra, seu ministério terreno estava se findando e em breve seria
pendurado no madeiro entregando sua vida em resgate de muitos. Ao operar este
milagre Jesus mostra aos seus discípulos que Ele tem todo o poder, que ninguém
há que possa prevalecer contra sua vida; Ele está deixando claro que da forma
como fez à figueira, também poderia fazer a qualquer um de seus inimigos se assim
o quisesse (Mt 26.53; Jo 10.17-18); era uma lição, tanto para os seus
discípulos quanto pra nós de que Ele não seria vencido por ninguém, mas entregaria
voluntariamente sua própria vida para salvar a humanidade.
2ª Sugestão –
Analisando os acontecimentos posteriores (15-18) somos levados a outra linha de
raciocínio, onde percebemos que Jesus faz uso da figueira em sua didática
comparando-a ao sistema religioso de sua época; “E, vendo de longe uma figueira que tinha folhas, foi ver se nela
acharia alguma coisa; e, chegando a ela, não achou senão folhas...”
O povo
judeu estava como que a figueira, vivendo de aparência; observavam os rituais,
costumes e doutrinas, eram rigorosos quanto à religião, porém ao se depararem
com o Filho de Deus, o Messias tão esperado, não o reconheceram nem o aceitaram
como Tal. Por séculos os profetas anunciaram sua chegada, cada cerimônia religiosa,
cada ritual, cada sacrifício apontava para sua vinda; mas quando chegou o “tempo”
não estavam espiritualmente preparados para recebê-lo, não manifestaram os
frutos de arrependimento e nem deram Glórias Àquele que é Maravilhoso Conselheiro,
Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz (Is 9.6); pois assim como a figueira
possuía apenas folhas, os religiosos viviam de aparência, uma falsidade
teológica e espiritual, e agora, aquilo que foi feito à figueira, seria cumprido
no povo escolhido, a salvação que era sua exclusiva seria transferida a um povo
estranho, aos gentios (Is 65.1-7; Lc 14.16-24; Rm 10.19-21).
3ª Sugestão – E pra
finalizar, a terceira sugestão quanto ao significado deste texto é relacionada
ao chamado e ministério pessoal de cada um de nós, diz respeito a mim e a você.
Vejamos
o que Jesus disse: “Grande é, em verdade,
a seara, mas os obreiros são poucos; rogai, pois, ao Senhor da seara que envie
obreiros para a sua seara”. Lucas 10:2.
O que
aconteceu com a figueira não tem a ver com morte física, mas rejeição
ministerial. Observamos quatro detalhes importantes: 1- Jesus sentiu fome, 2- viu
a figueira, 3- procurou nela algum fruto, 4- nada achou senão folhas.
Cada um
de nós tem um chamado pessoal, fomos escolhidos por Deus para dar continuidade
ao trabalho dos apóstolos, levarmos a obra de Deus adiante.
Um
servo não pode escolher que tipo de trabalho irá realizar, mas fazer aquilo que
for ordenado pelo seu senhor, ou seja, devemos estar onde o Senhor conta
conosco; e ainda se fizermos tudo o que nos for ordenado, seremos como servos
inúteis, pois só fizemos o que nos foi mandado (Lc 17.10).
1-
Jesus sentiu
fome:
Muitos de nós queremos ser obreiros, oramos dizendo a Deus: Eis-me aqui Senhor,
usa-me a mim... Mas quando algo nos é confiado não aceitamos o desafio, não
obedecemos ao chamado. Queremos escolher o que fazer e onde fazer a obra de Deus,
ou pior ainda, dizemos “não” ao Senhor. A Bíblia diz que naquele momento Jesus sentiu
fome, ou seja, havia uma necessidade, e a hora era aquela, naquele momento Jesus
precisava se alimentar. Quem sabe Deus esteja contando conosco nesses dias e
através desta simples palavra esteja nos dizendo: “Eu preciso de você”.
2-
Viu a
figueira: Ao sentir fome, Jesus vê ao longe a figueira, e chega até
ela procurando algo para comer. Que coisa maravilhosa é sermos convocados por Cristo
para Lhe ser útil nessa terra. Quando somos chamados para realizar sua obra,
podemos entender que Ele olhou para a terra e nos viu, contou conosco e espera
encontrar em nós algum fruto. Jesus não é carrasco ou ingênuo, Ele não pedirá
algo que não possamos lhe dar; olhemos para a figueira, a Bíblia diz que não
havia nela frutos porque não era tempo de figos. Será que Jesus não conhecia
sua própria criação e agiria de forma injusta com aquela árvore? É certo que
não. Não era tempo de colheita, pois os figos estariam maduros dali a seis
semanas aproximadamente, entre maio e junho, considerando que a Festa da Páscoa
acontecia em Março ou Abril. Mas juntamente com as folhas, a figueira soltava
seus brotos que além de serem comestíveis garantiriam uma boa colheita, e antes
desta, apareceriam os figos temporãos (Jr 24.1-2); o fato de conter folhas sem
brotos ou frutos temporãos significava que naquele ano a figueira nada produziria.
3-
Procurou
nela algum fruto: É lamentável quando não fazemos aquilo pelo
qual fomos chamados a fazer; a função da figueira era produzir frutos (Gn
1.11). Qual é a nossa função? Orar? Evangelizar? Pregar? Cantar? Ser líder de jovens? Ministrar a Escola
Bíblica Dominical? Ser líder do Círculo de oração? Pastorear? Há uma urgência
quanto à nossa vida, houve um investimento em nós; fomos comprados por bom
preço (1C0 6.20); fomos lavados, santificados e justificados pelo Senhor (1Co
6.11), fomos purificados pelo Seu sangue (1Jo 1.7) e fomos escolhidos para dar
frutos (Jo 15.16). Se não atendermos ao chamado hoje, amanhã poderá ser tarde
demais. Como eu disse anteriormente, o caso da figueira não diz respeito à vida
ou morte física, mas ao nosso ministério; o grande perigo é não atender ao
Senhor quando somos chamados e receber um risco de Deus em nossa vida
ministerial, pois se a vara que está em Cristo não produzir frutos para nada
servirá (Jo 15.2).
4-
Nada
achou senão folhas: Não podemos viver de aparências, precisamos ser
úteis á obra de Deus; lembremos de algo que sempre repito em meus sermões, que
Deus não brinca de ser Deus, o diabo não brinca de ser diabo e o crente não
deve brincar de ser crente. É preciso levar a obra de Deus a sério e estar pronto
para servir ao Senhor, onde e como Ele desejar. A figueira não tinha frutos
para oferecer, mas ela dispunha de tudo o que uma planta necessitava para produzi-los,
raízes fortes, tronco e clima favorável, a prova disto é a presença das folhas.
Infelizmente a única desculpa que arrumaram foi que, “não era tempo de figos”.
Reitero o que já escrevi, Jesus jamais pedirá de nós algo que não possamos
oferecer; quando ele nos convoca para uma obra na terra a desculpa inaceitável
é de que não temos o dom ou argumentar que ainda não é o tempo. Deixarmos para
depois o que deve e precisa ser feito hoje, pode ser um erro fatal. Muitos
abriram mão de sua oportunidade e quando a quiseram novamente, era tarde demais;
Esaú é um grande exemplo disso (Hb 12.17). Portanto amados, se Deus está te
chamando para algo nessa terra, não deixe para amanhã, não tenha medo, não diga
que não tem o dom, pois se Ele te chama é porque você é capaz. Todos nós recebemos
de Deus pelo menos um dom; é nosso dever multiplicá-lo (Mt 25.14-30).
Que
Deus em Cristo vos abençoe! Pr. Odair Padia

