Ex-campeão
do Pride, um dos primeiros grandes ídolos do MMA, o cristão Wanderlei Silva
está de volta ao Brasil após uma temporada de quase 10 anos morando nos EUA.
O
lutador migrou para a terra do Tio Sam quando o polo central do MMA mudou de
Tóquio para Las Vegas, com a compra do Pride (no Japão) pela Zuffa (empresa que
administra o UFC).
E
Wanderlei logo estreou pelo UFC, com toda pompa e expectativa que seu nome
merecia. Mas sua passagem pelo evento americano não refletiu os anos gloriosos
no Japão e terminou com uma longa disputa judicial, que fez o lutador ficar
dois anos inativos.
Superada
esta fase complicada, Wand assinou com o Bellator (atual segundo maior evento
de MMA do mundo) e arrumou as malas para voltar ao Brasil. O motivo do retorno,
porém, é menos esportivo que se imagina.
Em entrevista marcante a Marcelo Barone, publicada no
site do Canal Combate, Wanderlei citou interesse em ajudar o país e tocar um
projeto vinculando ao esporte e a religião como os principais fatores que o
atraíram de volta à sua terra natal.
“A
minha vida [nos EUA] estava muito sossegada e o país assim, caindo aos pedaços.
A gente não pode se omitir. As pessoas acham que isso é um jogo de interesse,
mas não é. Eu voltei por um ideal mesmo.”, afirmou o lutador.
“Conversei
com o meu pastor e voltei para ajudar a trazer membros para a nossa igreja e
para viver esse momento político, pois temos que usar a nossa influência para o
lado bom, mostrar que temos que lutar pelo nosso ideal. Lutar pelo bem comum,
não só pensar no seu umbigo’, completou.
Em
outro trecho da entrevista, o lado polêmico de Wanderlei apareceu quando discorreu
mais sobre a importância da fé no esporte. Ele justificou maus resultados de
alguns lutadores com possíveis desvios dos caminhos da fé.
“Muitos
dos nossos lutadores têm fé, mas estamos perdendo porque vários estão se
desviando. O cara faz duas, três lutas na cidade, já fica conhecido e se
desvia. Estamos tentando colocar esse pessoal nos trilhos.”, comentou o atleta,
dando mais detalhes sobre o seu projeto de igreja.
“Estamos
no começo, mas a gente já tem um lugar pequeno e tem o culto lá no domingo.
Temos um grupo no WhatsApp, chamado ‘Leitura da Palavra’. E lá estão [José]
Aldo, Lyoto [Machida], Shogun, Rafael Cordeiro, [Fabrício] Werdum, Rafael Dos
Anjos.”, completou o curitibano.
Entre
os membros do seleto grupo de lutadores cristãos, estão dois atuais campeões do
UFC e três ex-campeões. Não é pouca coisa.
“Todo
poder dado nessa terra é por Deus, não é o que você merece, Ele dá para quem
ele quer. Às vezes ele dá para uns filhos da p***, mas é natural, né? (risos)”,
disse Wanderlei.
Apesar
o linguajar, o lutador demonstra realmente ser um homem de fé ao atribuir
exclusivamente a Deus sua mais recente vitória: o fato de ser saído ileso do
litígio com o UFC.
“Um dia
eu acordei de manhã e vi a minha mulher de joelhos, orando e no mesmo dia os
caras (UFC) ligaram e disseram: ‘Olha, foi feito um acordo aqui e tal. Você faz
uma carta se retratando e está livre do contrato’. Eu falei: ‘É a mão divina’.
Não tem outra explicação”, finalizou.
GOSPELPRIME
Quando não se ganha mais dinheiro no exterior é hora de voltar à pátria amada, "por amor ao país e à religião".

