As aulas começaram e isso nos faz lembrar de pais indo ás
lojas para comparem o material escolar de seus filhos; as crianças, jovens e
adolescentes com muita vontade de
aprender, tornarem profissionais de sucesso destacados no mercado; uns serão
Doutores da Medicina, outros, Engenheiros, Advogados, Juízes. Terão uma
carreira próspera, um belo salário e uma gratificante aposentadoria.
A volta ás aulas também nos faz pensar nos Professores
felizes, indo ás atribuições, preenchendo sua carga horária nas escolas de sua
cidade; preparando-se para aplicar suas aulas com excelência; todos muito satisfeitos
pelo amparo e reconhecimento que recebem do Governo. Sendo eles os Profissionais mais respeitados do país; aqueles que irão formar TODOS OS OUTROS
PROFISSIONAIS. Recebendo um salário digno de sua importância na vida de cada
cidadão de bem. E pensando em terminarem sua carreira com um giz na mão e
desfrutar de uma reconhecida aposentadoria.
Não é isso mesmo?
Acorda cidadão! Isso é
utopia!
Até vemos pais indo ás lojas comprar os materiais; crianças,
jovens e adolescentes indo á escola.
Mas lá dentro, a história é bem diferente.
O Professor que lá se encontra para aplicar as aulas pelas quais
“mendigou” sofreu descaso, humilhação e se prepara a cada dia mais para
enfrentar o desamparo do Governo.
Muitos deles morando a quilômetros de sua Escola, na maioria
das vezes, em outro município; tendo que pegar estrada, deixar família em casa,
enfrentarem vários tipos de perigos até chegarem a suas Salas.
Pois agora é assim, ou completam sua carga horária onde
houver aulas disponíveis ou abrem mão de sua carreira. Isso, conscientes de que
irão ter que trabalhar mais, sofrer mais, passar por mais humilhações e ganhar
menos, até chegar a sua “sonhada aposentadoria”.
Profissionais que sofrem de todas as maneiras; a começar
pela arrogância de alguns pais negligentes que querem atribuir aos Mestres a
sua responsabilidade de educar seus filhos; também sofrem com o desrespeito de
alguns alunos que vão á Escola conscientes de que no atual Sistema de Ensino
brasileiro não têm a obrigação de aprender, desde que cumpram seu horário em
sala de aula; sofrem também com seus superiores, que se esqueceram de que um
dia estiveram em seus lugares como educadores.
E sofrem principalmente com o Governo que cada vez mais
torna difícil a tarefa de formar os cidadãos que serão futuros vereadores,
prefeitos, deputados, governadores, senadores... Presidentes.
Isso me faz pensar no trecho de um texto que li ha alguns
anos atrás:
“Os governos continuam a pensar que formação e salário dos
professores é despesa e não investimento. Os pais, muitos pais, continuam a
achar que escola não ajuda muito e o importante é ter um emprego para ganhar
algum dinheiro e ajudar em casa. Os jovens, muitos jovens, achando
que não têm nada para aprender na escola e que os professores não são exemplo
para nada e por isso não há motivo para segui-los ou obedecê-los. Os
professores, muitos professores, achando que nada vai mudar e a solução
é a porta de saída da escola. Lá fora, quem sabe, haverá melhor remuneração,
maior reconhecimento, satisfação profissional, oportunidade de crescimento.
Países que deram uma volta na crise e no papel secundário no
cenário internacional fizeram, todos, a mesma opção: investimento maciço na
formação de professores, nos programas curriculares, nos sistemas de avaliação,
na valorização extrema dos profissionais. É já um clichê a história de que no
Japão o único profissional que não precisa se curvar diante do Imperador é o
professor”. GAZETADOPOVO.COM.BR
Pr. Odair Padia

