O personalismo é uma expressão utilizada para se referir a
uma pessoa, grupo ou entidade que promove ações e busca se locupletar da fama
advindo do que fez e/ou faz. Ao evitar o personalismo, Pedro e João –– digo
João, também, pois este poderia impedir que Pedro desse continuidade à sua fala
rechaçadora –– estavam evitando que o item arrependimento de pecados fossem
tirados da pauta de suas pregações. E isto fica provado sete versículos depois,
quando o apostolo diz, em alto e bom som, que as pessoas ali presentes deveriam
se arrepender dos seus pecados.
O milagre não foi pretexto para a divulgação do ministério
apostólico de ambos, se quer o foi para anunciar o surgimento de uma
denominação, mas passou a ser ocasião para evidenciar o poder de Cristo tanto
para curar quanto para perdoar pecados e salvar as pessoas. Hoje em dia, como
se vê em muitos lugares por aí, os milagres são pretextos para arrecadação
financeira, superlotação de templos, evidenciarem nomes de pastores e
pregadores, mas nunca para evidenciarem a cristo e a necessidade de o homem
reconhecer-se pecador para ser salvo por meio da fé em sua obra vicária.
O personalismo, além de fazer mal a quem fez dele usufruto,
prejudica estraga oportunidades que poderiam levar as pessoas a uma profunda
reflexão sobre a existência do sobrenatural e do fato de que melhor do que
milagres ou ter virtude sendo usada é receber o Cristo ressurreto para ter
garantia de vida eterna. Portanto, o personalismo retira Jesus e a necessidade
de arrependimento de qualquer esboço de pregação. Quando a relação ouvinte/pregador
passa a estar somente no campo humano, o emissor de mensagem, para garantir sua
fama, sua hegemonia, não pode atacar a natureza concupiscente de quem o ouve,
pois vai perder o engamento de seus seguidores.
Pedro disse para aqueles que o ouviam, conforme se lê nos
versículos 13 e 14, que eles haviam preterido Jesus, o salvador, em detrimento
de Barrabás, um homicida. Se Pedro lhe tivesse dito tal “afronta” sem que a
parte emocional tivesse sido preparada pelo evento miraculoso, a reação
das pessoas seria de racionalizar o pecado, inventar desculpas e rechaçar o
pregador. Ou seja, Pedro aproveitou a oportunidade criada para poder sair dali,
não somente com uma cura, mas com uma multidão de quase cinco mil conversos (Jo
4.4).Pregadores personalistas são um empecilho porque não convertem pessoas do
pecado, mas atrai fãs seus para o meio religioso. Quando somos
personalistas, destruímos oportunidades de vermos Deus fazer obras muito
maiores. Fernando Pereira - GOSPELPRIME

