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    PT, um partido político ou uma religião? Lula está tentando se mostrar como “deus” para a esquerda, avalia analista político

    Discursos do ex-presidente se assemelhariam a mensagens de seitas.
    O analista político Fernando Martins fez uma análise contundente sobre a postura do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva nos discursos públicos antes do petista ser preso.

    Segundo o especialista, “Lula está transformando o PT numa espécie de seita religiosa em que ele é o ‘deus’ a ser venerado. A imersão de Lula no messianismo não é de hoje. Mas se intensificou desde janeiro, quando ele foi condenado pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) e ficou cada vez mais próximo de ser preso.”

    Para Martins, “Desde então, ele vem dizendo que não é mais um ser humano. Que virou uma ideia. Que vai viver nos outros, mesmo morto ou preso. Ao que tudo indica, trata-se de uma estratégia de comunicação muito bem pensada para estimular em seus seguidores algo que pode mover montanhas: a fé. Além disso, um “deus” não pode ser questionado pela razão; ele é o portador da verdade revelada”.

    As comparações de Lula com Jesus Cristo já ocorreram no passado, sempre que o petista se sentia ameaçado e fazia questão de posar de vítima. Mas desde que ele começou a fazer suas viagens pelo país, sua estratégia de marketing foi tentar construir uma imagem associada a uma aura de “santidade”.

    “A produção das imagens da caravana abusou da estética religiosa. Várias fotos da turnê de Lula mostravam o petista sendo “tocado” pelo povo – tal qual os fiéis buscam tocar na imagem de santos nas procissões”, destaca Martins.

    De fato, o ex-ministro Antonio Palocci, preso pela Lava Jato, chegou a expressar sua indignação com esse tipo de tratamento. “Afinal, somos um partido político sob a liderança de pessoas de carne e osso ou somos uma seita guiada por uma pretensa divindade?”, questionou o ex-ministro, na carta pedindo sua desfiliação do PT, divulgada em setembro de 2017.

    A postura “messiânica” assumida por Lula nos últimos meses ficou mais evidente em seus discursos. “Eu não sou eu. Eu sou a encarnação de um pedacinho de célula de cada um de vocês”, afirmou ele durante um ato político em Belo Horizonte (MG), em fevereiro.

    A percepção dele como um ser humano “diferenciado” e figura religiosa foi escancarada nos atos que antecederam sua prisão. No culto ecumênico do lado de fora do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, no dia 6, o líder judeu Nelson Nisenbaum, muito aplaudido pelos presentes, bradou: “Lula é o nosso Moisés! Ele formou o povo brasileiro Ele nos fez cruzar o Mar Vermelho para chegar na liberdade! Viva Luiz Inácio Lula da Silva, Lula presidente”.



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