É da cidade chinesa de
Wuhan uma ameaça classificada “de algo risco global” pela Organização Mundial
de Saúde (OMS)
De um hospedeiro desconhecido, uma nova cepa do coronavírus
matou ao menos 106 pessoas na China, aé a noite desa segunda-feira, 27, e já
chegou à Coreia do Sul, Japão, Tailândia, Taiwan e Estados Unidos. As
autoridades tentam conter a doença e evitar que ela se espalhe pelo planeta.
A letalidade da nova cepa e a velocidade com que se espalha
já rendeu comparações com a temida Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave),
que entre 2002 e 2003 matou pelo menos 650 pessoas na China e em Hong Kong.
Infectologistas ouvidos pelo UOL explicam o que é o vírus e
avaliam a possibilidade de ele chegar ao Brasil. Na tarde de ontem, a
Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais anunciou o primeiro caso suspeito
de infecção no país, de uma paciente que regressou da China e apresentou
sintomas compatíveis com a doença.
O que é o coronavírus?
O coronavírus pertence a uma família viral com alto poder de
infectar humanos. Até a descoberta dessa nova cepa, a 2019-nCoV, os cientistas
haviam detectado apenas seis delas. A Sars, por exemplo, foi causada por um
coronavírus.
“A família do corona recebe esse nome porque tem um envelope
com proteínas que parece uma coroa. É uma família porque existem várias
espécies dentro dela que infecta humanos e animais”, explica a infectologista e
professora na Escola Paulista de Medicina da Unifesp, Nancy Bellei.
O que o coronavírus faz?
Os sintomas variam: pode causar apenas um resfriado,
provocar tosse, evoluir para febre forte e dificuldade para respirar. Em seu
estado mais grave, leva à morte. A professora explica que, assim como a Sars, o
novo coronavírus parece mais letal em idosos e doentes.
“Muitos desses vírus novos não têm uma eficiência de
transmissão entre humanos para se estabelecer como um vírus que vai ficar por
aí, como o Influenza”, diz Nancy. “A Sars foi grave, mas é uma doença que
acabou desaparecendo.”
Como se transmite o
coronavírus?
“O coronavírus é semelhante ao vírus da gripe porque infecta
animais, que transmitem o vírus ao ser humano”, explica a médica infectologista
Joana D’arc Gonçalves da Silva. “Em seguida, a infecção é de pessoa para pessoa
por meio da secreção, tosse, ar e objetos contaminados.”
Ela explica que essa nova cepa “pode ser mais agressiva”
porque o vírus ainda está se adequando ao organismo humano. “Isso é muito
complicado para o tratamento e para a criação de uma vacina.”
O vírus chegará ao
Brasil?
Para Joana, o mundo globalizado permite que o vírus chegue
ao Brasil. “Quem mora aqui chega a outro continente no mesmo dia”, afirma. “Se
precisar viajar à China, é preciso evitar a cidade foco e sempre usar máscaras.
Os governos devem monitorar as pessoas com quem o infectado entrou em contato.
Isso é difícil porque muita gente viaja.”
Nancy lembra que o aeroporto de São Paulo recebe dezenas de
milhares de estrangeiros. “Temos também os portos recebendo mercadorias de
navios chineses”, diz. “São passageiros que fazem conexões da Ásia, comissários
que ficam em hotéis com outros comissários.”
O boletim epidemiológico do Ministério da Saúde afirma que
ainda não há nenhum caso suspeito no Brasil. A pasta enviou comunicado à Anvisa
(Agência de Vigilância Sanitária) em portos e aeroportos para que viajantes
sejam orientados sobre os cuidados em viagens ao exterior, principalmente nos
aeroportos com conexões para a China.
As secretarias de Saúde de estados e municípios também foram
notificados pelo ministério.
FOLHAGOSPEL


