Enfrentando
as tensões no casamento.
2 de Fevereiro de 2020
Texto
Áureo
"Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo
o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável,
tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso
pensai." Filipenses 4.8
Verdade
Aplicada
É muito importante que os cônjuges tenham a consciência de
que saber lidar com os conflitos no casamento é fundamental para se construir
um relacionamento sólido.
TEXTOS DE REFERÊNCIA
ECLESIASTES 4
9 - Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do
seu trabalho.
10 - Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro;
mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante.
11 - Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão;
mas um só, como se aquentará?
12 - E, se alguém prevalecer contra um, os dois lhe
resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa.
Introdução
De acordo com Jaime Kemp: "Não existe casamento
perfeito. É preciso reconhecer que relacionamentos profundos não surgem por
acaso; eles são frutos do aprendizado de se viver juntos e de colocar em
prática os princípios bíblicos [Tg 1.23-24]".
1. A
realidade das tensões
Já vimos na lição passada que o casal precisa precisa lidar
com as diferenças. Na presente lição o foco é a realidade dos conflitos
familiares, os quais podem surgir a partir das diferenças, como, também das
imperfeições e limitações de cada membro da família ou, ainda, das dificuldades
do dia a dia da vida neste mundo. A grande questão não é tanto as tensões, mas
como enfrentar e resolver tais tensões.
1.1. As primeiras
dificuldades familiares
O dicionário indica que "tensão", figuradamente,
expressa o sentido de "estado que ameaça romper-se". Desde o início
da humanidade, com a entrada do pecado, convive-se com o estado de tensão em
todos os níveis de relacionamento. Independente do ambiente, a realidade das
tensões tem sua origem no próprio ser humano, como revelado em Gênesis 3.7 - em
pleno jardim do Éden, o primeiro casal experimentou desconforto, embaraço,
vergonha, medo e dificuldade em lidar com sua "nova consciência do bem e
do mal", a partir de sua decisão em desobedecer a Deus. Contudo, o Senhor
Deus não está indiferente, mas interessado em continuar agindo para socorrer e
restaurar as famílias [Gn 3.8-9,21].
1.2. Tudo começa depois
do sim
Segundo Estevão Souto, não existe um casal que nunca tenha
enfrentado conflitos em sua jornada conjugal. O grande problemas é de ter
embates, pois todos os casais, invariavelmente, enfrentam situações
conflituosas. No dia a dia, saber lidar com eles de forma sábia é o que
determina o sucesso ou o fracasso do relacionamento [Pv 24.3-4]. Afinal,
trata-se de duas pessoas oriundas de ambientes diversos, com personalidades
diferentes e cada uma com sua "bagagem hereditária", que envolve
vários aspectos da formação humana - físico, emocional, espiritual e
educacional; e que, a partir do casamento, passam a vivenciar a mais íntima das
relações humanas.
1.3. Sinais que
antecedem o sim.
O Dr. Jaime Kemp, conselheiro familiar e conjugal, afirma:
"Ainda que os investimentos durante o casamento sejam necessários e
fundamentais, não há dúvidas de que um bom casamento se constrói durante o
período que o antecede, o tempo de amizade, namoro e noivado". Portanto, a
preparação para assumir o compromisso matrimonial deve anteceder a preparação
para o casamento - cerimônia, festa, lua de mel, lista de convidados etc. Deve
anteceder o namoro. As igrejas locais muito podem contribuir, procurando
conscientizar as famílias quanto ao seu papel em preparar os filhos também para
a vida conjugal, através do exemplo e do ensino.
2. D e
ondem surgem os conflitos?
Nenhum médico pode conter o avanço de uma doença sem antes
diagnosticá-la. Assim também, jamais poderemos resolver um conflito, se não
soubermos de onde ele se origina. Entender a origem dos conflitos é essencial
para gerar uma transformação verdadeira [Tg 4.1-4].
2.1. Identificar a raiz
dos problemas.
Para Estêvão Souto, quando estamos envolvidos em um
conflito, nossa tendência é sempre focar no que o outro fez de errado e no que
ele deve fazer para corrigir aquilo. Porém, a Palavra de Deus nos instrui a sondar
o nosso coração [Tg 4.1-4; Mt 15.19]. Para praticar este "exercício"
de sondar o próprio coração, precisamos da luz da Palavra de Deus, de ajuda do
Espírito Santo e separar momentos de reflexão sobre a situação que estamos
vivenciando, pois tais providências muito nos auxiliarão a vencermos a
tendência de sermos precipitados no diagnóstico ou reducionistas na resolução
dos conflitos.
2.2. Conflitos são
oportunidades de crescimento.
Nossa maior missão nesse mundo é glorificar a Deus com
nossas vidas. Quando visamos isto, compreendemos que os conflitos são
oportunidades para colocarmos em prática vários princípios bíblicos. Se devemos
amar o nosso próximo como a nós mesmos, ainda que ele nos desaponte e nos
maltrate, o que não fazer com nossos cônjuges? [Lc 6.27-28]. Um casamento feliz
não é aquele isento de brigas e decepções, mas aquele que as pessoas aprendem a
vivenciá-los e enfrentar os conflitos decorrentes com maturidade e bom senso na
presença do Senhor [1 Pe 5.7;Fp 2.5].
2.3. O egoísmo causa
problemas
"O egoísta sempre causa problemas..." [Pv 28.25a -
NTLH]. O discípulo de Cristo não deve ser dominado pelo egoísmo, pois gera
contendas e é característica de quem anda na carne [1Co 3.3]. O casal cristão
deve andar no Espírito [Gl 5.16,25]. Afinal, o amor "não busca os seus
interesses" [1Co 13.5]. Portanto, cada cônjuge precisa sempre trazer à
memória os princípios bíblicos que devem nortear o dia a dia no lar, pois
evitarão ou auxiliarão na resolução dos conflitos dos conflitos [Mt 6.12; Ef
4.32].
3.
Vencendo conflitos
O enfrentamento vitorioso dos conflitos familiares começa
pelo reconhecimento da realidade dos mesmos, pois, enquanto não se percebe ou a
decisão for negá-los, como uma fuga, não é possível enfrentá-los. Após
reconhecer, é preciso agir com reflexão, oração e perseverança, tendo em vista
que, conforme estudado nas lições anteriores, há um propósito divino na
constituição da família, então não podemos considerá-la como algo sem
importância ou descartável.
3.1. Problemas devem ser
confrontados
A primeira coisa que devemos ter em mente, no que diz
respeito aos conflitos na vida cotidiana, é que eles sempre irão existir, nunca
estraremos livres deles. Assim, encará-los é a melhor solução. Em vez de
confrontar a si mesmos e brigar por suas diferenças, o casal sábio procura ser
um agente pacificador no enfrentamento dos conflitos familiares [Mt 5.9].
Casais não são inimigos, não lutam entre si. A luta do casal deverá sempre se
voltar contra a natureza pecaminosa, o sistema mundano contrário a Deus e os
seres espirituais da maldade [Ef 6.10-12].
3.2. Unidade e diálogo
como prevenção
A unidade da família sempre dependerá do relacionamento que
é mantido pelos cônjuges. O casamento se torna uma bênção quando um dos
cônjuges toma a iniciativa de colocar o Senhor em primeiro lugar em todas as
suas atitudes. O amor deve nortear a vida do casal [Tt 2.4; Cl 3.19; 1 Ts 3.12.
O casal que anda unido resiste com maior facilidade e mais firmeza aos momentos
difíceis da vida [Ec 4.9-10]. A falta de comunicação desencadeia sérios
problemas para a vida familiar. Existem assuntos que não podem ser deixados
para depois.
3.3. Perseverar sem
nunca desistir
Casamentos estão sendo dissolvidos por casais simples (o que
demonstra urgência do povo de Deus resgatar o entendimento bíblico acerca do
casamento - exposto nas lições 1 e 2), que poderia não acontecer se agíssemos
com mais sobriedade, disciplina e responsabilidade. O cristão é chamado para
agir diferente, também no casamento, pois é preciso ser perseverante [Mc 19.9]. Desistir apenas comprova que não
nos esforçamos o suficiente para fazer dar certo. Não é possível ter um
casamento perfeito, mas é possível ser saudável, restaurado e fortalecido. Para
tanto, é fundamental que, com a ajuda do Espírito Santo, procuraremos aplicar
em nosso lar os diversos princípios expostos na Bíblia [Rm 13.8].
CONCLUSÃO
As tensões fazem parte do casamento. Ao discernirmos esta
realidade, busquemos no Senhor sabedoria e habilidade no enfrentamento dos
conflitos, pois, assim, resultarão em crescimento e maturidade do casal.


