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    Indígenas reagem à ação de evangélicos da igreja de Silas Malafaia em aldeia Pankará


    “Não queremos a religião evangélica”

    Parte da comunidade indígena Pankará de Serrote dos Campos, zona rural de Itacuruba, foi surpreendida pela chegada de um ônibus da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (Advec), do Pastor Silas Malafaia, com cerca de 50 fiéis que viajaram quase 500 quilômetros do Recife ao Sertão para evangelizar os indígenas e pregar a palavra de Deus. O fato lembra o ano de 1500, mas aconteceu no último sábado (25).

    A chegada do grupo terminou gerando um conflito interno na aldeia e instaurou um clima de tensão. A atuação de grupos externos que fragiliza a unidade dos povos e cria rivalidades internas é um filme que se repete em diversas aldeias.

    “Estão impondo uma religião absurda que vem para massacrar e acabar ainda mais com a nossa, que já está tão fragilizada há mais de 500 anos, e que os povos indígenas deste país vêm lutando para resgatar e fortalecer”, critica a cacica Lucélia Pankará.

    “Eles (os evangélicos) chegaram de manhã, nós não estávamos esperando. Nossa aldeia tem duas organizações sociais, mas uma atividade desse tipo precisa da concordância dos dois grupos”, explica a cacica Lucélia, que publicou uma manifestação no Ministério Público Federal denunciando o ocorrido.

    Segundo ela, os fiéis também levaram doações de brinquedos, roupas e alimentos e ainda fizeram fotos e vídeos das pessoas, das casas e do território sem consentimento. “O mais chocante é como um pastor que diz ser evangelizador não tem discernimento para entender que não queremos ele nesse espaço e chega aqui com brinquedos, roupas, calçados e cestas básicas. 

    Essa é uma imagem (de fome e necessidade) que não existe em Serrote dos Campos, é uma ficção”.

    O grupo dela chegou a ligar para a polícia, mas os evangélicos decidiram ir embora. 

    No entanto, à tarde, uma parte deles acabou voltando, dessa vez em dois carros, insistindo em entrar na aldeia, acompanhados pela cacica Cícera, irmã de Lucélia, mas que faz parte de um outro grupo. 

    Foi quando os ânimos se acirraram.

    “Agora estão atacando a minha imagem nas redes sociais e tudo que fiz durante estes 15 anos de lutas”, contesta a cacica Lucélia, cujo objetivo é preservar a cultura e a religiosidade de seus ancestrais. 

    Ela reforça que é preciso apoio, “senão eles vão nos matar porque não queremos a religião evangélica”.


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