Um planeta sem terra firme, completamente coberto por água.
Esta era a Terra há três bilhões de anos, de acordo com novas evidências
encontradas nos estudos dos pesquisadores Benjamin Johnson, da Universidade de
Iowa, e Boswell Wing, da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, e
publicadas na revista Nature Geoscience.
Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram mais
de 100 amostras de sedimentos do fundo do mar na região de Panorama, na
Austrália. Segundo os pesquisadores, as estruturas rochosas do ambiente
preservam sistemas hidrotermais antigos, que guardam informações sobre a crosta
oceânica formada há bilhões de anos a partir do resfriamento da Terra.
Ao analisarem o material, eles foram surpreendidos com a
quantidade inesperada de oxigênio-18, cuja presença superava a de oxigênio-16,
a forma mais comum do elemento nos oceanos atualmente.
Com a ajuda de computadores, os cientistas aplicaram a
proporção a uma escala global e identificaram que a massa de oxigênio-18 dos
oceanos era absorvida pelos continentes. Dessa forma, as relações entre os dois
isótopos remetem a um planeta sem continentes, em que o oceano continha
abundância de oxigênio-18.
"Os valores [da quantidade de isótopos] são diferentes
do oceano moderno, a um ponto que a principal explicação para esse fenômeno é a
não existência da crosta terrestre", disse Johnson, em nota ao site Live
Science.
Para o cientista, a descoberta ainda oferece uma nova
perspectiva sobre a origem da vida na Terra. Segundo ele, se as evidências do
estudo forem confirmadas, significa que “o número de ambientes terrestres para
o surgimento da vida seria muito reduzido ou mesmo inexistente por pelo menos
3,2 bilhões de anos”.
OLHARDIGITAL – LIVE SCIENCE


