Autoridades
governamentais recomendaram que reuniões acima de 500 pessoas fossem
canceladas.
No
primeiro final de semana quando recomendações de reuniões e contatos sociais
foram declaradas perigosas por favorecer transmissão do novo coronavírus,
diversas igrejas decidiram realizar seus cultos pela internet.
A
suspensão dos cultos aconteceu especialmente em igrejas com mais de 500
membros.
Na
sexta-feira (13), o governador João Doria determinou a suspensão de eventos com
mais de 500 pessoas para conter o avanço da epidemia. Autoridades de outros
estados também restringiram os contatos sociais, como Rio de Janeiro e Distrito
Federal.
A maioria
dos cultos online foram feitos obedecendo a mesma liturgia dos encontros
presenciais, com louvor, pregação, ofertas.
O Pr.
Vitor Azevedo, da Igreja Por Amor, com sede no ABC paulista, cancelou o batismo
e justificou a transmissão online dos cultos. No entanto, manteve a ceia. Ele
pediu que os participantes online consumissem algum suco (não especificamente
de uva) e um pedaço de pão, para o momento.
“Sentimos
que fazendo isso estamos amando o bairro, a cidade e também irmãos que não se
sentiriam confortável em estar, principalmente no batismo. Em relação ao
domingo, vamos continuar celebrando pela internet”, escreveu o pastor nas
mídias sociais da igreja, para justificar os cultos online.
Ed Rene
Kivitz também decidiu transmitir o culto da Igreja Batista da Água Branca, com
sede em São Paulo, pela internet. “A fé não imuniza, precisamos nos cuidar”,
declarou. O culto ao vivo foi assistido por cerca de 3.000 pessoas.
As
igrejas que têm dois ou mais cultos no domingo, e que optaram pela transmissão
online, gravaram a mensagem para ser reprisada nos horários da programação
presencial.
A
Comunidade da Graça informou em suas mídias sociais a decisão de transmitir os
cultos pela internet.
“Até
que tenhamos novas orientações das autoridades governamentais, hoje tivemos os
últimos encontros presenciais. Todos nossos cultos, os dois de domingo (10 e 19
horas) e o da quarta (às 20) serão apenas transmitidos online”.
A
igreja, que decidiu cancelar todas as atividades como cursos, encontros,
eventos em geral, aproveitou para passar informações sobre os cuidados sobre o
COVID-19.
Igreja
Batista do Morumbi, na zona sul de São Paulo, realizou o culto de domingo
apenas por streaming, suspendendo também a celebração de aniversário.
A
Igreja Presbiteriana em Alphaville, na Grande São Paulo, também cancelou todas
as atividades presenciais a partir deste domingo, 15. Ao fiéis, foi indicado
que assistam à transmissão online.
Nada mudou
De
outra opinião, a Igreja Universal manteve seus cultos presenciais, inclusive na
sede, que tem capacidade para mais de 10 mil pessoas. O culto das 9h30
realizado no Templo de Salomão no domingo (15) estava lotado, segundo noticiou
O Globo.
O bispo
Renato Cardoso, genro de Edir Macedo, dirigiu o culto e afirmou que nem o
templo será fechado nem as celebrações suspensas. “Se um dia você ouvir que a
Igreja Universal fechou e que não vai ter reunião é porque Jesus voltou e você
ficou!”, brincou.
O líder
da Igreja Universal, bispo Edir Macedo gravou um vídeo que está circulando nos
grupos de WhatsApp, onde afirma: “Por trás dessa campanha toda de coronavírus
existe um interesse econômico. E onde há um interesse econômico, aí tem”.
Na
sexta-feira (13), a Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo, a
comunidade evangélica mais antiga da capital paulista, enviou a seus membros um
comunicado pastoral informando que os cultos dominicais estavam mantidos, mas
aconselhando que “irmãos com febre, tosse ou dificuldades para respirar fiquem
em casa pelos próximos 14 dias".
O
comunicado presbiteriano também sugeriu que pessoas “com 80 anos ou mais” e
doentes crônicos assistissem aos cultos pela internet em vez de ir à igreja e
que álcool em geral seria disponibilizado “em diversos pontos do templo”.
Na
sexta também, Silas Malafaia gravou um vídeo que intitulou de “A questão do
coronavírus e o evangélico”. Na mensagem, o presidente da ADVEC (Assembleia de
Deus Vitória em Cristo) disse que só segue orientações das autoridades de
saúde, citando, inclusive, informações da Sociedade Brasileira de infectologia
sobre o COVID-19.
Malafaia
disse que seguirá a orientação da entidade médica, que diz que “fechamento das
escolas, faculdades e universidades; interrupção de eventos coletivos, como
jogos de futebol e cultos religiosos” só devem acontecer caso a “transmissão
comunitária continue a evoluir, geralmente passando de 1.000 casos”.
O
pastor diz que só tomara esse tipo de medida drástica quando a situação
colocada pela SBI se estabelecer. “Isso não aconteceu em nenhuma cidade
brasileira”, declarou ele na sexta-feira (13).
Em
culto de vigília, realizado no sábado, Malafaia perguntou para as pessoas que
lotaram a igreja: “A nossa fé se manifesta quando tudo vai bem ou nas
adversidades?”. O pastor disse ainda que a igreja ficará de portas abertas.
"Eu não vou fechar a igreja coisíssima nenhuma; a igreja tem que ser o
último reduto de esperança para o povo; eu vou estar aqui, como pastor, para
quem precisar de oração e intercessão", falou.
A
unanimidade de comportamento dos líderes sobre o coronavírus ficou por conta
dos pedidos de oração para que haja proteção contra o COVID-19.
Até o
fechamento desta matéria, em 16 de março de 2020, às 10 horas da manhã, o
Brasil registrava 200 casos de coronavírus confirmados.
GUIAME.COM.BR - Com informações do Globo


