ESCOLA
DOMINICAL - Conteúdo da Lição 11
Revista da
Editora Betel
Três jovens e o milagre da fornalha
21 de dezembro
de 2014
“Meus irmãos, que aproveita se alguém
disser que tem fé, e não tiver as obras? Porventura a fé pode salvá-lo?” Tg
2.14
VERDADE APLICADA
Jamais saberemos o alcance da nossa
fé até que sejamos postos diante de uma escolha que peça a renúncia daquilo que
mais estimamos e revele quem somos diante da circunstância.
Textos de referência
Dn 3.13-16
13 Então, Nabucodonosor, com ira e
furor, mandou chamar Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. E trouxeram a esses homens
perante o rei.
14 Falou Nabucodonosor e lhes disse:
É de propósito, ó Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que vós não servis a meus
deuses nem adorais a estátua de ouro que levantei?
15 Agora, pois, se estais prontos,
quando ouvirdes o som da buzina, do pífaro, da cítara, da harpa, do saltério,
da gaita de foles e de toda sorte de música, para vos prostrardes e adorardes a
estátua que fiz, bom é; mas, se a não adorardes, sereis lançados, na mesma
hora, dentro do forno de fogo ardente; e quem é o Deus que vos poderá livrar
das minhas mãos?
16 Responderam Sadraque, Mesaque e
Abede-Nego e disseram ao rei Nabucodonosor: Não necessitamos de te responder
sobre este negócio.
INTRODUÇÃO
Poucas pessoas podem compreender até
que ponto a fé pode ser capaz de renunciar. A magnífica história de Sadraque,
Mesaque e Abednego nos ensina que quando o assunto é fidelidade ao Senhor, nem
mesmo a morte poderá amedrontar aos que nEle estão alicerçados. (Sl 125.1).
1.
Fiéis não se vendem nem retrocedem diante do fogo
Nabucodonosor era um rei sagaz que
oferecia aos príncipes escravos uma faculdade gratuita, uma posição de destaque
no reino, e um salário digno. Esse tipo de persuasão fazia com que os cativos
se esquecessem de sua terra e vivessem sob a égide de seu domínio, abandonando
suas raízes e se tornando parte de seu reino.
1.1 Nabucodonosor e seu inferno
particular
Nabucodonosor já havia reconhecido o
Senhor como um grande Deus através da revelação de Daniel (Dn 2.47). Porém, não
se arrependeu e essa verdade não alcançou seu obstinado coração. Em vez disso,
confeccionou uma estátua de ouro com sua imagem para forçar seus súditos a
adorá-lo, e aquele que lhe desobedecesse deveria ser lançado na fornalha de fogo
ardente. Essa é a forma como age o coração humano quando não glorifica a
Deus: o homem glorifica a si mesmo e tenta fazer com que todos o adorem. Como
toda religião, Nabucodonosor tinha uma banda, uma lei, um ídolo para adorar, e
um inferno particular (a fornalha) que condenava quem não se entregasse a seu
credo. Seu maior problema foi achar que mesmo comprando o caráter de alguns,
todos eram da mesma estirpe se curvando ao seu sistema.
1.2 Sadraque, Mesaque e Abedenego
Não foi fácil para Sadraque, Mesaque
e Abedenego permanecerem de pé enquanto todas as outras pessoas “dançavam
conforme a música”. Eles desafiaram o sistema porque eram firmes e alicerçados
nos ensinos de sua família e embora, fosse a Babilônia um lugar ostentador,
eles jamais trocariam sua comunhão com Deus por lisonjas ou posições. Um fato
curioso que mostra o poder envolvente da Babilônia e que alguns judeus já
haviam se vendido, é a qualidade dos instrumentos que deveriam tocar para que
todos se curvassem, entre eles estavam alguns de ordem semita como: a flauta, a
harpa e o saltério (Dn 3.5).
1.3 Babilônia, o sistema de Satanás
Na Bíblia “Babilônia” é mais que uma
cidade ou império; Ela representa um sistema Satânico. Babilônia se iniciou
através da obra de Ninrode, que com um audacioso projeto, desejava conquistar o
mundo através do esforço humano, sendo impedido por Deus, que confundiu às
línguas e dispersou seu reino pelo mundo afora por causa da sua arrogância (Gn
10.8-10; 11.1-9). Nabucodonosor desejava fazer o mesmo, ele possuía um esquema
centrado no homem, que tentava conquistar o coração, a mente, e o corpo das
pessoas, e nesse sistema não havia espaço para Deus. O nome “Babel” significa:
“portão de Deus”. Ela finge ser o caminho para o céu. No entanto, é o caminho
para o inferno.
2.
As promessas de uma fornalha em chamas
O rei ficou enfurecido ao saber que
seu decreto foi desobedecido. Ele deu outra chance aos jovens. Mas eles
preferiram antes enfrentar o fogo a ter que se curvar a seu ídolo. Assim, eles
foram lançados na fornalha amarrados com as próprias vestes. Três promessas se
destacam nessa história. Vejamos:
2.1 Seguir ao Senhor não nos isenta
de uma fornalha
Não existe evangelho fácil. Ser um
autêntico cristão é conviver com diversas formas de fornalha. Todo aquele que
se dedica ao Senhor não está isento da provação. Nós estamos no mundo, mas não
somos amigos dele, somos a contramão de um sistema que a cada dia tenta nos
absorver e nos desvincular de nossa profissão de fé (Jo 15.18-20; Fp 1.29).
Esses três jovens desafiaram o sistema, envergonharam o rei diante de todos,
eles preferiram morrer a negar seu Deus. Eles são um exemplo para todos aqueles
que creem; que ainda não se deixaram levar pelo sistema; que não negaram a fé.
Mesmo sabendo que a fornalha seria aquecida além do normal, eles confiaram no
Senhor, acreditaram que pela vida ou pela morte o Senhor não os deixaria.
2.2 O Senhor jamais nos abandona
durante a provação
Fogo que Deus se faz presente sempre
tira de nós o que nos impede de caminhar. Eles foram lançados no fogo
amarrados, de repente, foram vistos passeando dentro do fogo. O que nos prova
que somente as cordas se queimaram (Dn 3.25). Nabucodonosor avistou uma pessoa
a mais com eles a passear, Deus nunca abandona os seus quando passam por
provações aterradoras. Ele pode não impedir que entremos na fornalha, mas
entrará conosco e nos preservará para sua glória (Is 43.2). Os homens que
lançaram eles no fogo morreram queimados instantaneamente, eles, porém, além de
não sofrerem nenhuma lesão, nem cheiro de fogo passou sobre eles (Dn 3.22-27).
Deus sabe preservar os que lhe são fiéis (Hb 11.30-34).
2.3 A fornalha produz um nível de
crescimento
Somente quando atingimos o fogo é que
nos tornamos cônscios da presença do companheiro Divino andando ao nosso lado,
mostrando aos nossos inimigos Sua grandeza. Que privilégio para esses jovens!
Eles receberam uma revelação pessoal do Cristo Salvador antes mesmo dEle
revelar-se para o mundo. O que uma fornalha não pode nos revelar? O fogo os
livrou de suas amarras da mesma forma que sofrer por Cristo, hoje, nos liberta
jubilosamente do pecado e do mundo. A experiência deles glorificou a Deus
diante dos outros (1Co 6.19-20), e o rei os promoveu e deu-lhes honras.
Primeiro, o sofrimento; depois, a glória (1Pe 5.1,10-11).
3.
Forjados pelo fogo da provação
Nabucodonosor foi publicamente
envergonhado, mas também ficou maravilhado com o que viu na vida desses três
jovens. Ele se aproximou da fornalha e não se queimou (Dn 3.26), uma prova real
de que a confiança em Deus nos exalta diante dos nossos inimigos. Vejamos três
aspectos importantes desse capítulo.
3.1 Somos mais que vencedores
“Mas em todas estas coisas somos mais
que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8.37). Como podemos nos tornar tão
grandes vencedores? Quando durante os grandes conflitos de nossas vidas
adquirirmos uma disciplina que não somente fortaleça a nossa fé, mas que
consolide nosso caráter espiritual. A tentação se faz necessária para firmar e
confirmar nossa vida espiritual, ela é como o fogo para o metal mais precioso,
que além de purifica-lo, o torna flexível. Nossos conflitos espirituais devem
ser contados entre as mais preciosas bênçãos, porque neles aprendemos que o
grande adversário é usado para nos treinar para a sua própria derrota (Dn
3.28-29).
3.2 Deus age no meio do fogo
“Falou Nabucodonosor, dizendo:
Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abedenego, que enviou o seu anjo, e
livrou os seus servos, que confiaram nele, pois violaram a palavra do rei,
preferindo entregar os seus corpos, para que não servissem nem adorassem algum
outro deus, senão o seu Deus” (Dn 3.28). Em todos os lugares difíceis a que
Deus nos leva, ele sempre está criando oportunidades para que a nossa fé possa
ser exercitada. Esses jovens pareciam iminentemente derrotados enquanto os
inimigos observavam para vê-los arder naquelas chamas. Ao fim da provação nem
um fio de cabelo foi atingido (Dn 3.22-27). Eles sacrificaram seus corpos,
demonstrando aos seus algozes que sua fé era coerente e sua fidelidade
inegociável, que lição para aqueles que sacrificam o sagrado!
3.3 A última fornalha
O capítulo três de Daniel é uma
tipologia profética de Israel nos dias da Grande Tribulação (2Ts 2.1-12; Ap
13.1-18). Nabucodonosor simboliza o anticristo; sua estátua representa a imagem
do anticristo que será erigida; e os três hebreus representam os crentes judeus
que serão protegidos durante a tribulação. O milagre da fornalha tipifica um
retrato dos eventos nos últimos dias. Daniel não estava presente quando essas
coisas aconteceram. Em sua ausência o rei confeccionou seu perverso ídolo. Isso
ilustra o arrebatamento da Igreja: quando a Igreja estiver fora da terra, então
Satanás poderá levar avante seus planos diabólicos a fim de escravizar a mente
e o corpo das pessoas.
CONCLUSÃO
A fornalha não trouxe morte, mas
libertação das amarras, revelação pessoal de um Deus justo, e honra diante dos
inimigos. A tribulação produz sempre paciência, experiência, esperança (Rm
5.3-4). Parece incrível, mas esses jovens estavam mais seguros dentro da
fornalha do que fora dela. Deixemos o fogo cortar nossas cordas impeditivas!


