Declaração gera
divergência entre teólogos
Após ter feito declarações que agradaram aos gays, aos
casais não casados e os defensores da teoria do Big Bang,
o papa Francisco hoje conquistou os donos de cachorros e defensores dos
direitos dos animais do mundo todo.
Durante uma aparição
pública na Praça de São Pedro, o pontífice tentou consolar um menino que estava
triste pela morte de seu cachorro. Francisco que ” um dia veremos nossos
animais de novo na eternidade de Cristo. O Paraíso está aberto a todas as
criaturas de Deus”. Isso implica que ele concorda que os cães (e outros
animais) vão para o céu.
Assim que
divulgada, a declaração foram elogiadas por organizações como a Humane Society
e a ONG Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA), que comemorou a
“mudança” na teologia católica, que historicamente ensina que animais não podem
ir para o céu porque não têm alma.
Christine Gutleben,
diretora de contato com religiões da Humane Society, maior organização de
proteção aos animais nos Estados Unidos, estava surpresa. “Minha caixa de
e-mails lotou. Quase imediatamente, todo mundo começou a falar no assunto”,
conta. Ela acredita que a declaração terá enormes consequências. “Se o papa
quis dizer que todos os animais vão para o céu, a implicação é a de que os
animais têm alma”, afirmou. “Se isso é verdade, então deveríamos começar a
refletir seriamente sobre como os tratamos. Precisamos admitir que eles são
seres conscientes, e que significam algo para Deus”.
Sarah Withrow King,
diretora para relacionamento com organizações cristãs da PETA, conhecida por
campanhas contra o abate de animais, enfatizou que as declarações papais
confirmavam o relato bíblico do paraíso como lugar pacífico e amoroso. Isso
“poderia influenciar os hábitos alimentares, afastando os católicos do consumo
de carne”, comemora.
Já Charles Camosy,
escritor e professor de ética cristã na Universidade Fordham acredita que isso
irá causar um amplo debate entre os teólogos, mas seria bom lembrar que
Franciso falou “em linguagem pastoral, e não de forma a ser dissecado pelos
acadêmicos”.
Alguns
comentaristas lembram que Jorge Bergoglio, um bispo jesuíta argentino, escolheu
seu nome pontifical para homenagear São Francisco de Assis, chamado de “santo
padroeiro dos animais”.
Teólogos ligados ao
Vaticano já se pronunciaram, explicando que Francisco não fez uma afirmação de
doutrina. O debate sobre se os animais poderiam ir para o céu é bastante
antigo. O papa Pio IX (1846 a 1878), criador da doutrina da infalibilidade
papal (em 1854), argumentava que cachorros e outros animais não têm
consciência. Por isso, tentou impedir a fundação de uma divisão italiana da
Sociedade pela Prevenção da Crueldade contra os Animais.
Na década de 1990,
o papa João Paulo II proclamou que os animais têm almas e “estão tão perto de
Deus quanto o homem”. Seu substituto, Bento 16, rejeitou essa visão em um
sermão de 2008, quando afirmou que quando um animal morre, “isso significa o
fim de sua existência na terra”. Assim, Francisco contraria seu antecessor mais uma vez, retomando o argumento de 20 anos
atrás, mostrando como o Vaticano pode mudar de opinião com o passar do tempo.
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