3 – O VALOR EXTERIOR ACIMA DO
VALOR INTERIOR
Deus não
Se deixa enganar nem aceita o homem pela sua aparência (Gl 2.6). Deus não fica
impressionado com a fachada e sim com a beleza interior, no incorruptível traje
de um espírito manso e tranquilo, que é precioso diante de Deus (1Pe 3.4).
Vivemos tempos trabalhosos (2 Tm 3.1), dias em que
Eliabe toma o lugar de Davi, isso ocorre quando em determinadas situações
a aparência e a condição financeira são mais valorizados que o caráter cristão
(1 Sm 16), mas Deus não vê como o homem, Ele conhece nosso coração e não
simplesmente nossa aparência.
Gl 2.6: “E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais
tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem),
esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram”.
Lc 17.20: “E, interrogado pelos fariseus sobre quando havia de vir o
reino de Deus, respondeu-lhes, e disse: O reino de Deus não vem com aparência
exterior”.
3-1 – A BELEZA SENDO OLHADA
PELO LADO DE FORA
Hoje, a
aparência exterior está sendo considerada mais importante do que o caráter de Cristo
no interior (Gl 5.22-23). O Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que
está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração (1Sm 16.7). Jesus condenou
os fariseus que pareciam sepulcros caiados; por fora formosos, por dentro em
estado de decomposição (Mt 23.25-28). Preocupamo-nos muito com a aparência, o
nome da igreja e seu status perante a sociedade e não percebemos que estamos
perdendo a identidade no interior, principalmente na supervalorização
da forma, das emoções e das mudanças teológicas.
O culto ao corpo é prejudicial na medida em
que, na busca incessante pelo corpo perfeito, alguém se submete cada vez mais
aos implantes de silicone, lipoaspiração e dietas milagrosas desnecessárias. O resultado
de todo esse processo de valorização do corpo é o aparecimento de sérios
problemas de saúde, como bulimia e anorexia, que são cada vez mais comuns entre
os adolescentes. O “culto do corpo” passa a ser o culto da superficialidade. O bem
estar físico constitui apenas uma parte do que deveria ser um projeto mais
amplo de busca da saúde integral. As demandas espirituais, sociais, e psicológicas
devem ser balanceadas; isto significa que o corpo, a mente e o espírito devem
se manter equilibrados, pois esta é a condição essencial para a saúde completa.
3-2 – AS PESSOAS VALEM PELO
QUE TÊM E NÃO PELO QUE SÃO
Amam os
bens e usam as pessoas. Os bens das pessoas valem mais do que a própria pessoa.
Quem tem bens terrenos é mais considerado e procurado. Ao cometer alguma falta
não é cobrado como os demais. Os bens terrenos cobrem os defeitos. Em alguns
lugares. Os dízimos altos levam as pessoas a serem mais queridas e destacadas
na igreja. Os interesses particulares estão acima do Reino de Deus.
3-3 – CULTO AO HOMEM E NÃO A
DEUS
Há uma
inversão, sobra pouco do culto para Deus, a exaltação e a glória têm sido
transferidas para homens. Tem alguns lugares que passam mais tempo falando
sobre as personalidades presentes no culto do que no nome do Senhor Jesus. Porém,
Deus não dá Sua glória a ninguém (Is 42.8). Os valores externos do culto ganham
proporções gigantescas. Deus não está satisfeito com isto, pois Ele procura
verdadeiros adoradores que o adorem em espírito e em verdade (Jo 4.23-24).
Muitos não têm a preocupação de oferecer o
ensino bíblico com eficiência, verdade e justiça, para formar cristãos convictos e
resistentes às tentações (do
maligno) e às provações (de Deus). Ao contrário, ocorre a busca de
uma espiritualidade falsa que é, na realidade, uma grande inversão de valores.
Jr 18.15: “Contudo o meu povo se tem esquecido de mim, queimando
incenso à vaidade, que os fez tropeçar nos seus caminhos, e nas veredas
antigas, para que andassem por veredas afastadas, não aplainadas”.
Judá estava cultuando o “nada”, porque adorava a ídolos e todo
culto que não seja ao Deus revelado nas Escrituras é culto ao “nada”. Disse
Paulo: “… o ídolo nada é no mundo…” (1 Co 8.4). Há quem adora ao
“nada” porque adora deuses que fez para si.
Há muito culto ao “nada”. São cultos centrados no homem. Visam
levar as pessoas a se sentirem bem e serem estimuladas, recarregarem as
baterias para mais uma semana de luta, etc. O homem é o foco do culto. A ênfase
hoje é no “adorador”. Por que não no Adorado? Porque as pessoas são mais
importantes que Ele, porque o culto é programado para elas, porque a
preocupação é atraí-las. A preocupação deve ser com a glória de Deus
(confundida com barulho e mantras repetidos à exaustão). A glória de Deus se
manifesta em vidas transformadas pelo evangelho de Jesus. O alvo de muitos
cultos não é a santidade de Deus, mas a felicidade do homem. São cultos
antropocêntricos (o homem no centro), e não teocêntricos (Deus no centro).
Culto ao “nada”, porque está voltado para o homem. Ouvi uma senhora dizer a
outra, no mercado: “Não gostei do culto ontem”. O culto é para nos agradar ou
para agradar a Deus? O prumo de um culto não é a estética do adorador, e sim a
proclamação de “Que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo,
não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da
reconciliação” (2 Co 5.19).
Alguns se autodenominam “geração de adoradores”. Não. É uma
geração de consumidores espirituais, que assimilou a filosofia de prazer do
mundo, entronizando-se em sua vida. Tudo é ao seu gosto. Até o culto. Até Deus.
Quando somos o foco do culto cultuamos ao “nada”. A quem cultuamos? Deus ou a
nós? O que procuramos no culto? Conhecer mais de Deus e da Bíblia ou sentir-nos
bem, com o ego massageado? Cuidado para não cultuarmos o “nada”!
Continua...


