III. ALGUNS PERIGOS QUE AMEAÇAM A IGREJA
1. A perda e o esfriamento do amor. Os crentes são chamados à fidelidade e
perseverança até que as promessas alcancem seu cumprimento total. A demora no
cumprimento de alguma promessa muitas vezes leva o crente ao esfriamento do
amor e dedicação por Cristo e sua Palavra. Conhecer teologia, freqüentar as
reuniões da igreja local e obedecer alguns mandamentos não bastam (Mt 5.17). O
crente deve manter vividamente o amor sincero a Jesus Cristo e sua Palavra como
um todo. Veja que na advertência à Igreja de Éfeso em Ap 2.4, o termo ‘deixaste
o teu primeiro amor’, caracteriza um ‘abandono’ da fé; este é
um dos sentidos do termo grego aphiemi – ‘deixar’; Strong defineaphiemi em
três categorias de significados: 1) Deixar
ir, mandar embora, enviar, perdoar. Nesse sentido, a palavra é usada em
conexão com divórcio (1Co 7.11-13), dívidas (Mt 18.27) e, especialmente,
pecados (Mt 9.2; 1Jo 1.9); 2) Permitir,
deixar (Mt 3.15; 5.40; 19.14); 3) Negligenciar,
abandonar, deixar sozinho (Mt 4.11; Mc 7.8; Lc 13.35; Jo 4.3).
2. A perda do temor a Deus. Temer é “ter
grande respeito a”, não se trata de simples medo, mas de
reverência, por meio da qual o indivíduo reconhece o poder e a posição do
indivíduo reverenciado e lhe presta respeito formal. Nesse sentido, “temor”
implica submissão a uma relação ética formal com Deus. Com efeito, quando se
perde o temor a Deus, atingiu-se o mais baixo abismo da degradação moral e
possivelmente, torne-se irreconciliável. A sociedade é vítima de um
distanciamento de Deus, e está colhendo os frutos de uma geração moralmente
degradada, à margem da Graça de Deus (Rm 3.23). Ninguém jamais alcançará o
padrão divino de absoluta perfeição moral e será digno de sua glória. Portanto,
se houver alguma salvação, ela deverá acontecer de outra maneira, pela
justificação que há em Cristo para um correto relacionamento com Deus.
3. A perda da humildade. Humildade vem do Latim humilitas, - atis: pequenez,
modéstia, qualidade de
humilde; capacidade de reconhecer os próprios erros, defeitos ou limitações. É o inverso de altivez, arrogância e orgulho. É
demonstração de respeito, submissão, deferência e reverência. Refere-se à
qualidade daqueles que não tentam se projetar sobre as outras pessoas, nem
mostrar serem superiores a elas. Paulo que, escrevendo 2Co 3.4, 5 e 6, afirma:
“E é por Cristo que temos tal confiança em Deus; Não que sejamos capazes,
por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem
de Deus, O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo
testamento...” a seu exemplo, não podemos nos vangloriar de coisa alguma
por que, o crédito por todas as nossas realizações na Obra do Senhor é dEle
mesmo; Também é conveniente nos afastarmos daquele que já não demonstra não
reconhecer que suas habilidades são capacitações dadas pelo Espírito Santo para
desenvolvimento do Corpo. Para desempenharmos o serviço do Senhor é imperativo
que haja humildade no coração: “O SENHOR já nos mostrou o que é bom, ele já
disse o que exige de nós. O que ele quer é que façamos o que é direito, que
amemos uns aos outros com dedicação e que vivamos em humilde obediência ao
nosso Deus” (Mq 6.8). (Veja Pv 4.23; Mt 15.19; Fp 2.13; Tg 4.10; Lc 22.26;
1Pe 5.5,6).
O esfriamento do
amor, e a perda do temor a Deus e da humildade têm ameaçado a preservação da
identidade da Igreja de Cristo.
A Igreja é a família espiritual de Deus, uma
comunidade criada pelo Espírito Santo baseada no Calvário, e como tal, deve
preservar aquela marca distintiva que caracterizou a Igreja primitiva: Obediência amorosa e incondicional à Bíblia
Sagrada. A Igreja está inserida no contexto social pluralista onde a
maneira como as pessoas vivem é determinada mais por seus valores
compartilhados, e isso por sua vez é mudado através de persuasão paciente e exemplo,
o que poderemos realizar somente se o conjunto de características exclusivas da
Igreja – amor, simplicidade e o temor a Deus forem preservados. Falsos ensinos
são uma perigosa ameaça espiritual que podem causar estragos semelhantes aos
causados pela Serpente de Gênesis. De modo semelhante, o apego a exigências
legalistas e de concessões pode macular a identidade da Igreja (2Co 3.6;
6.14-7.1; 10.5). Por isso, não podemos nos apartar da simplicidade e da pureza
que há em Cristo.
"Filhinhos, não amemos de palavra, nem
de língua, mas de fato e de verdade." (1Jo 3.18)
N’Ele, que me garante que: "... o Filho do homem não veio para ser servido,
mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos” (Mt 20.28).
Continua...


