Permita-me
apresentar-lhe esta modesta e sincera reflexão. Não me tenha por careta, tapado
ou ignorante; considere meu texto à luz dos fatos atuais do mundo cristão –
ponha-o em paralelo com as Escrituras, com a narrativa histórica de Atos dos
Apóstolos e Epístolas; reflita em como os crentes primitivos adoravam a Cristo
e divulgavam o Seu Evangelho, contextualizando-o a diferentes pessoas e lugares
– sem retirar-lhe sua mensagem e apresentação íntegra e radical; depois,
zelosamente observe muitas de nossas festas e comemorações e seja sincero
consigo mesmo: edificamos serpentes de bronze (2 Re 18:4) que têm desviado nosso povo da simplicidade do Evangelho
de Cristo e da verdadeira adoração a Deus. Estamos num tempo decisivo em que
devemos remover altares de profanação erigidos em nosso meio e quebrar colunas
e postes sagrados com o composto anexado de “gospel”.
Este
povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Mt 15:8)
Festas da “igreja” que oferecem o terrenal. Muitas
igrejas estão preocupadas e ocupadas exatamente com o que gostamos de assistir
ou de fazer e tentam de tudo para nos agradarem ainda mais em nossas vontades e
preferências. As coisas organizadas pelo pessoal da “igreja” são parecidas com
as do mundo, distintas apenas pelo poder agregador do termo “gospel”. A
mentalidade cristã do século XXI quando quer adaptar algum costume do mundo
para dentro da “igreja” basta associar a palavra “gospel” e como que num passe
de mágica tudo que queremos de profano lá de fora se torna santo dentro de
nosso “mundo crente” e a partir daí nós temos: Gospel Folia, Dance Gospel,
Balada Gospel, Rave Gospel, Arraiá Gospel, Halloween Gospel, Funk Gospel,
Eletro Dance Gospel, Festa Country Gospel, Gospel Night, stand-up comedy gospel
e por aí vai. A razão para promover ou apoiar esses eventos parece justificada
e nos agrada em cheio; as “nossas festas” geralmente apresentam razões
evangelísticas, fraternais e exaltam a “graça” de ser crente.Nossa e como nós
temos motivos de comemorar? Afinal, a verdade nunca esteve tão em voga, a
renúncia de nós mesmos nunca foi tão levada a sério como agora, a vida eterna é
uma expectativa constante pois estamos desapegados deste mundo – desculpem-me
pela ironia neste fim de parágrafo!
E
não vos associeis às obras infrutuosas das trevas, antes, porém, condenai-as (Ef 5:11)
Festas da “igreja” que oferecem o
sobrenatural. Muitas igrejas pentecostais se renderam as
inovações propostas por “grupos heterodoxos” de cantores e pregadores que
utilizam expressões superlativas e apoteóticas na divulgação de seus eventos,
tais como: mega vigilhão, avalanche pentecostal, vigilhão revolution, vigilhão
ômega e acreditem tem até “o mega dos megas vigilhão”. Fora os tão famosos
abala “Jerusalém”, abala “Samaria” (não citei o nome das cidades por discrição
mesmo). Os organizadores “dessas festas de crentes” se defendem dizendo que
tais títulos são para chamarem a atenção das pessoas para uma nova e impactante
experiência com o poder de Deus. Sinceramente, esses eventos em sua maioria não
cumprem com a expectativa gerada pelo estardalhaço publicitário feito. A
não ser que você considere pula-pula, desordem litúrgica, profetismo dirigido,
mensagens de superação, unções de prosperidade como nova experiência com Deus.
Na maioria, os super pregadores desses eventos sugerem o extravasar emocional
ou exploram em seus apelos carências sentimentais e pessoais dos participantes.
A tristeza pra quem embarca nessas fantasias que prometem o transcendental é
que depois do “hiper evento” quando a segunda-feira chega, à vida do
participante volta ao normal com a mesma rotina e sem qualquer milagre de Deus
na vida – com raras exceções; os habitantes da cidade que foi “abalada”
continuam com a mesma posição de afastamento de Deus e a comunidade local de
crentes como estranha social. E aí irmãos, no fim é só mais um evento onde
pulamos, dançamos, gritamos e ouvimos que somos cabeça e não cauda e só isso!
Quando
vocês se reúnem, cada um de vocês tem um salmo, ou uma palavra de instrução,
uma revelação, uma palavra em língua ou uma interpretação. Tudo seja feito para
a edificação da igreja (1 Co 14:26)
Festas da “igreja” que exaltam os homens. Tem
havido uma super exposição de pessoas e uma exclusão da Palavra de Deus em
nossos cartazes, banners e nos outdoors que espalhamos pela cidade (inclusive
poluindo-a visualmente). Como é bom ter foto estampada num cartaz de igreja,
ainda mais se você for um dos nomes em destaque; mas, e a Palavra de Deus?
Grande parte de nossa divulgação peca por expor demais cantores, conferencistas,
apóstolos, doutores e apresentar de menos a Palavra de Deus e seu apelo
evangelístico – em grande volume a comunicação visual do cristianismo
protestante do século XXI não é evangelística. As pessoas estão sendo
convidadas para prestigiarem a presença de cantores e pregadores e só isso!
Esses eventos estão desenvolvendo uma cultura de fãs e seguidores de homens –
de modo que tais eventos têm adesão, mas não decisão, fãs mas não discípulos,
crentes que rolam no chão, mas que não se rendem aos pés do Senhor Jesus
Cristo!
Ai
de vocês, quando todos falarem bem de vocês, pois assim os antepassados deles
trataram os falsos profetas (Lc 6:26)
Festas da “igreja” onde tudo está
programado. O louvor é contratado, a palavra é encomendada e
a platéia está sugestionada a descambar em qualquer proposta apresentada nessas
reuniões “mega-ultra-super poderosas”, que na prática, não mudam em nada o
comportamento corrompido, não abalam coisa nenhuma senão ainda mais o
cambaleante espiritual participante. Boa parte desses eventos tem sido
organizados para exaltar ministérios personalistas, promover candidatos
políticos ou esquemas denominacionais. Nos tornamos numa geração que aplaude
seus “ídolos humanos”, mas que não adora a Deus; nos cultos da igreja somos
expectadores, nas orações pedintes, nas ofertas miseráveis e no testemunho
reprováveis – e o pior de tudo, são muito poucos os pastores e pregadores que
nos chamam à realidade da vida cristã; que nos falam a verdade e que nos
comunicam a Palavra que de fato pode transformar nossa vida morna numa nova
vida!
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