“Apascentai o rebanho de
Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas
voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto;
Nem como tendo domínio
sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho”. 1 Pedro 5:2,3.
“E também houve entre o
povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que
introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou,
trazendo sobre si mesmos repentina perdição.
E muitos seguirão as
suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade.
E por avareza farão de
vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será
tardia a sentença, e a sua perdição não dormita”.
2 Pedro 2:1-3
Dois males principais têm invadido as
igrejas atuais:
A crise
de identidade e a crise de paternidade espiritual.
Os
pensamentos de que “não importa que esteja certo, desde que dê certo” e “os
fins justificam os meios” são perniciosos para a vida espiritual da Igreja.
Muitos
estão focando nos resultados sem procurar saber sobre a vontade Deus para seus
empreendimentos, e em nome de um suposto crescimento, estratégias têm sido
usadas nas igrejas onde as principais ferramentas são diabólicas.
Mas
qual o problema, desde que dê certo, não é?
A crise de paternidade espiritual – “Porque ainda que tivésseis dez mil aios em
Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; porque eu pelo evangelho vos gerei
em Jesus Cristo”. 1 Coríntios 4:15
Deus
confiou o ministério do pastoreio a homens nos quais Ele depositou confiança e
os capacitou para tal vocação.
A
Bíblia nos ensina que os líderes espirituais devem apascentar a Igreja de Deus
e para Deus; não para si mesmos.
Para
tanto é necessário que tais lideranças tenham como essencial alguns fatores imprescindíveis
para a saúde espiritual da Igreja, tais como: o Discipulado, a formação do caráter
cristão no corpo de Cristo e o Direcionamento para o caminho que leva à vida
eterna.
Sabemos
que nossa principal ferramenta para tal obra é a Palavra de Deus e que nossas
armas não são carnais (Rm 10.17; 2Co 10.4).
Mas
como exerceremos um discipulado eficaz e um pastoreio de excelência tendo
deixado de lado o essencial para isto, que são o ensinamento sistemático das
Escrituras e o exemplo pessoal?
Estes
dois quesitos têm sido negligenciados por grande parte das igrejas hodiernas.
Uma geração de pessoas imaturas e sem conhecimento da Palavra tem sido
levantada nas pseudo igrejas evangélicas.
Quase já
não há mais dedicação aos Cultos de Ensinamento e Escolas Bíblicas, que são os
principais agentes na formação de obreiros da Igreja.
Sabemos
que sem o ensinamento o povo se corrompe e que a falta dele destrói o povo de
Deus (Pv 29.18; Os 4.6).
Em
lugar disso, atividades antibíblicas e estranhas são realizadas e isso tem levado
o povo à superficialidade cristã.
O
entretenimento, a prosperidade financeira e as realizações pessoais têm tomado
espaço em nossas agendas eclesiásticas e em nossa lista de prioridades, e ainda
ousamos chamar tudo isso de “obra de Deus”.
Paralelamente
a isso, já não podemos mais contar com o exemplo pessoal de grande parte dos
líderes atuais, pois a hipocrisia, a demagogia e o descomprometimento com os
valores e princípios cristãos têm tomado os corações daqueles que deveríamos
chamar de “pais na fé”.
Diferente
de como era há algumas décadas atrás, hoje dificilmente conseguimos apontar um
líder como exemplo a seguir.
Pois
frequentemente somos assombrados pelos inúmeros escândalos envolvendo lideranças
da Igreja, e em algumas situações o caso é tratado como se fosse algo normal.
A crise de identidade – Em meio
a esse caos espiritual a identidade da Igreja tem se esvaído.
Os
diversos ministérios estão cada dia mais afastados das verdades bíblicas, e
heresias de perdição têm sido introduzidas encobertamente no seio da Igreja.
Estratégias
mundanas travestidas de cristãs por meio de uma mentalidade secular estão sendo
usadas como “ferramentas de evangelização”.
Em nome
de Deus estamos desfigurando a nossa liturgia e em quase nada somos diferentes
do mundo. Estamos vivendo a fase do “dê ao povo o que ele deseja” mesmo que
isso confronte com o verdadeiro evangelho.
São tantas
heresias encobertas que seria difícil listar cada uma delas, e a cada dia uma “nova
visão” ou “revelação” é divulgada nas redes sociais, envergonhando o nome da
Igreja.
Balada
gospel, carnaval gospel, grupos de paquera gospel, festas juninas gospel e
tantas outras misérias que tem feito da casa de Deus um verdadeiro clube de
entretenimento. Onde o pudor, a ética cristã e o bom testemunho ficam engavetados
por darem não “resultado” positivo segundo essa ideologia mundana.
Isso
sem falar da pregação da Palavra, que está sendo substituída por modismos
seculares e doutrinas estranhas.
Raramente
encontramos líderes e pregadores cheios do Espírito de Deus anunciando o
verdadeiro evangelho, que cura o ser humano e produz transformação de caráter,
preparando o ouvinte para morar no céu; ao invés disso o que mais temos vistos
são “animadores de platéia” e “promotores de eventos” divorciados da Doutrina Bíblica.
Atos
proféticos, auto-ajuda, campanhas de prosperidade, histerismos carnais e inúmeras
manifestações antibíblicas são algumas das “atrações” oferecidas hoje em grande
parte das denominações evangélicas.
Tudo
isso num cenário em que a igreja mais parece um circo ou clube noturno.
E o
mais triste de tudo isso é o que o apóstolo Pedro predisse: “E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos
quais será blasfemado o caminho da verdade”.
Que
Deus tenha misericórdia de nós!
PR. ODAIR PADIA
PR. ODAIR PADIA


