"“Estado laico não é sinônimo de laicismo ou Estado
ateu e, portanto, ninguém deve ter opiniões diminuídas ou exercício político
limitado por conta da sua religião”.
Com essa e outras frases de apoio à atuação dos cristãos na
sociedade, um grupo de evangélicos publicou, nesta quinta-feira (6), o
“Manifesto Acerca das Difamações e Demonstrações Públicas de Desprezo Contra os
Cristãos”, no site “Coalizão pelo Evangelho”, de pastores evangélicos.
O ato é uma defesa da
atuação de cristãos no governo e uma reação a ataques feitos contra
personalidades que professam publicamente a sua crença.
Uma das que mais sofrem com o preconceito à religião é a
ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves.
Entre os ataques mais conhecidos contra ela está a marchinha
de carnaval que zomba do abuso sexual sofrido pela ministra e das suas
declarações de que só pode superar o fato com a ajuda de Deus.
Outro que tem sido criticado por suas crenças é Benedito Guimarães Aguiar Neto, o novo
presidente da Capes, autarquia do Ministério da Educação responsável pela
distribuição de bolsas de pesquisas. As suas críticas ao evolucionismo e adesão
ao “Design
Inteligente” – que não é sinônimo de criacionismo (entenda melhor aqui)
– fez com que alguns se manifestassem contra a sua permanência no cargo, como o
Núcleo de Apoio à Pesquisa em Educação, Divulgação e Epistemologia da Evolução
“Charles Darwin”, da Universidade de São Paulo (USP).
"Reconhecendo que “religião e Estado são esferas
distintas da sociedade que devem atuar com soberania nos limites do seu escopo
sem se sobrepor uma à outra”, os evangélicos apontam o erro de quem prega a
existência de uma neutralidade de pensamento.
“A neutralidade de pensamento é uma falácia argumentativa
secularista que tem buscado marginalizar a influência dos cristãos e deve,
portanto, ser desmascarada, sobretudo no Brasil, que possui um modelo de
laicidade colaborativo com a fé, de acordo com o artigo 19, I da Constituição
brasileira”.
O texto defende o direito dos cidadãos, “de diverso viés filosófico e
ideológico” de se reunirem com “a finalidade de propagar aquilo no qual
acreditam” e recomenda “a sobriedade e o bom trato” na defesa da fé
em âmbito público."
LEIA ABAIXO A ÍNTEGRA DO
DOCUMENTO:
Manifesto Acerca das
Difamações e Demonstrações Públicas de Desprezo Contra os Cristãos
Diante das difamações e ataques em determinadas mídias que
tiveram como alvos diretos e indiretos membros desta Coalizão, bem como diante
de um perceptível aumento das demonstrações de desprezo contra os cristãos nas
redes sociais em nosso país, NÓS, abaixo-subscritos, vimos a público emitir o
seguinte manifesto para o fim de esclarecimentos e recomendações."
"Reconhecemos a
importância dos debates relacionados aos temas de interesse público.
Cremos que religião e Estado são esferas distintas da
sociedade que devem atuar com soberania nos limites do seu escopo sem se
sobrepor uma à outra, e juntas cooperar para o bem comum e dos cidadãos. Por
isso, não somos adeptos de qualquer forma de teonomismo, haja visto que
compreendemos que a religião não deve ser imposta pelo Estado, e nem o Estado e
sociedade serem subjugados pela religião. A fé cristã demanda mudança interna e
associação voluntária, não sendo possível sua imposição por forças externas ou
instituições.
Declaramo-nos, assim, apartidários, mas não apolíticos, pois sendo
a polis parte da estrutura de vida do ser humano, devem os cristãos
oferecer sua cooperação à sociedade em que estão inseridos, seja por meio de
ações concretas ou através de debates que fomentem e multipliquem o
conhecimento e a educação, sempre em respeito às convicções diversas, sem nunca
fugir do campo das ideias, e jamais partindo para ataques pessoais.
Entendemos que o Estado laico não é sinônimo de laicismo ou
Estado ateu e, portanto, ninguém deve ter opiniões diminuídas ou exercício
político limitado por conta de sua religião. A neutralidade de pensamento é uma
falácia argumentativa secularista que tem buscado marginalizar a influência dos
cristãos e deve, portanto, ser desmascarada, sobretudo no Brasil, que possui um
modelo de laicidade colaborativo com a fé, de acordo com o artigo 19, I da
Constituição brasileira.
Esclarecemos que a aparição de qualquer dos membros da Coalizão pelo
Evangelho com autoridades públicas se dá no âmbito de respeito e suporte
intelectual e espiritual, e jamais como apoio partidário e político, sempre com
o intuito de cumprir a recomendação bíblica: “Exorto, pois, antes de tudo que
se façam súplicas, orações, intercessões, e ações de graças por todos os
homens, pelos reis, e por todos os que exercem autoridade, para que
tenhamos uma vida tranquila e sossegada, em toda a piedade e
honestidade” (1Tm 2.1-2)."
"Defendemos o
direito de cidadãos de diverso viés filosófico e ideológico de se reunirem com
a finalidade de propagar aquilo no qual acreditam.
Lamentamos, todavia, a superficialidade com a qual temas sociais,
teológicos e políticos têm sido tratados, não somente em páginas pessoais, mas
também em mídias alternativas e até naquelas tradicionais formadoras de
opinião.
Repudiamos, ademais, o abandono do campo das ideias e o uso de
ataque ad hominen através da plantação de mentiras e do assassinato
de reputações, bem como a difusão de mentiras e difamações como meio de
produzir conteúdo, vencer debates, ou atrair adeptos.
Lastimamos, sobretudo, quando pessoas revestidas de autoridade
eclesiástica, as quais deveriam ser exemplos de boa conduta, esquecem-se da
instrução de Paulo acerca de “como se deve proceder na casa de Deus, que é a
igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade ” (1Tm 3.15). Não nos
surpreende, contudo, que alguns desses teólogos que espalham mentiras e
difamações contra pastores por conta de seus posicionamentos políticos são
justamente aqueles que já romperam não apenas com temas importantes da ética
cristã, mas também reinterpretaram doutrinas centrais da fé, tal qual a
doutrina da expiação vicária.
Preocupa-nos, de igual modo, a percepção do aumento de expressões de
desprezo contra cristãos nas redes sociais. Lembramo-nos, porém, das palavras
de Cristo nas bem-aventuranças: “Bem-aventurados sois quando, por minha causa,
vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós.
Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim
perseguiram aos profetas que viveram antes de vós” (Mt 5.11-12)."
"Recomendamos,
por fim, a importância de mantermos a sobriedade e o bom trato na defesa de
nossa fé e de sua aplicação no certame público, lembrando que nossa luta não é
contra a carne e o sangue, e que esses que espalham difamação e desprezo devem
ser alvos da mesma graça que nos livrou da escravidão daquele que é o pai da
mentira.
Concluímos este manifesto com o ensino do Senhor Jesus acerca daqueles
que decidiram se fazer nossos inimigos: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos
inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso
Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas
sobre justos e injustos. Porque, se amardes os que vos amam, que recompensa
tendes? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes somente os
vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os gentios também o mesmo?
Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt
5.44-48).
06 de fevereiro de 2020."
Leia mais em: https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/manifesto-de-evangelicos-aponta-perseguicao-a-cristaos-que-atuam-no-governo/


