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    DISCERNIMENTO ESPIRITUAL - 1João 4.1-6


    “Discernindo os espíritos”
    Por pastor Odair Padia

    Texto: 1João 4.1-6
    “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.
    Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;
    E todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já agora está no mundo.
    Filhinhos, sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo.
    Do mundo são, por isso falam do mundo, e o mundo os ouve.
    Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro”.

    Desde os primórdios da Igreja Cristã a luta contra os falsos profetas é um problema real, os primeiros cristãos já sofriam os ataques dos espíritos enganadores, bem com a falta de maturidade espiritual por parte da Igreja; o que gerava um cenário propício para que falsas doutrinas, heresias e o comércio da fé fossem instaurados no meio cristão.
    Os líderes espirituais desde sempre travaram batalhas ferrenhas contra os falsos profetas e lutaram dia e noite para que a fé dos novos convertidos não fosse corrompida.
    As escrituras afirmam que esse mal existirá até o fim dos tempos e cabe a cada um de nós em particular lutar e procurar identificar os lobos travestidos de ovelhas que se aproximam com o intuito de devorar o rebanho. (1Tm 4.1-2).

    “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios;
    Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência”;

    1Jo 4.1 - “Amados” – O apóstolo João convoca não apenas a liderança da Igreja mas toda comunidade cristã, os identificando como “amados” e não como “bispos”, “presbíteros” ou “pastores”.
    Deixando claro a responsabilidade particular de cada membro da Igreja.

    “Não creiais a todo o espírito” – Muitos mestres heréticos se apresentavam como porta-vozes de Deus; alegando serem possuidores de uma nova visão ou revelação; até mesmo algumas manifestações espirituais eram apresentadas sob influência maligna. Não raramente falsos profetas tentavam inserir práticas, costumes e rituais que não tinham sustentação doutrinária conforme as Escrituras. Era preciso muita atenção da Igreja para que “outro evangelho” não fosse disseminado em substituição ao verdadeiro evangelho pregado pelos apóstolos. (Gálatas 1:6-9)      

    “Provai se os espíritos são de Deus” – O discernimento das coisas espirituais pode ocorrer de duas formas: 1- Comum ou ordinária: Por meio das faculdades intelectuais potencializadas pela sabedoria divina; 2 – Incomum ou extraordinária: Quando somo capacitados pelo Espírito Santo com o dom espiritual de discernimento de espíritos.

    Exemplo: Na primeira, podemos discernir quando alguma pergunta ou comentário são feitos de forma tendenciosa para colocar o líder em uma situação delicada ou constrangedora; são situações onde os mal intencionados não desejam aprender ou acrescentar algo de bom, mas promover contenda, divisões e colocar em descrédito a vida do líder e sua igreja.
    Essa estratégia frequentemente era usada pelos fariseus durante o ministério do Senhor Jesus (Mt 22.16-18).

    “E enviaram-lhe os seus discípulos, com os herodianos, dizendo: Mestre, bem sabemos que és verdadeiro, e ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, e de ninguém se te dá, porque não olhas a aparência dos homens.
    Dize-nos, pois, que te parece? É lícito pagar o tributo a César, ou não?
    Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse: Por que me experimentais, hipócritas?”

    Na segunda, podemos discernir a intenção do coração da pessoa não apenas no falar ou pregar alguma heresia, mas até mesmo ao fazer algo pela a igreja, como ofertar por exemplo (Para isso precisamos do dom espiritual de discernimento 1CO 12.10; At 5.1-5).

    Uma pessoa que se apresenta como enviado de Deus poderá estar agindo sob influência de três tipos de espíritos:

    1- O espírito do homem: (1Co 2.11; Jd 17-19).
    Esses são aqueles que falam e fazem coisas por motivos carnais e mundanos, sem nenhuma reverência a Deus ou sua Palavra. Para eles o Reino dos Céus é substituído pelo reino na terra. Nesse caso não há influência divina e nem maligna, mas um sentimento de egoísmo e interesse próprio em promover algo que lhe traga algum benefício ou satisfação pessoal. Isso é o que chamamos de “carnalidade”; e qualquer manifestação promovida pelos mesmos, por mais emocionante que seja não passará de histeria e teatro.

    2- O Espírito Santo: (Zacarias pai de João Batista Lc 1.67-69; o apóstolo Pedro At 4.8; Estêvão At 7.55-56; o apóstolo Paulo At 13.9-10).
    Homens e mulheres inspirados pelo Espírito Santo podem trazer as revelações de Deus para o fortalecimento da igreja (pela pregação e manifestações espirituais), bem como para a defesa do evangelho (confrontando as falsas doutrinas) Fp 1.16; Jd 1.3; Tt 1.10-11; etc.
    Até mesmo na administração dos dons espirituais por pessoas cheias do Espírito Santo é preciso responsabilidade e maturidade. Pois os dons são distribuídos a cada um para a edificação da Igreja (1Co 12.7-11; 1Co 14.12).
    Há casos em que por falta de maturidade e má administração dos dons, ao invés de promover edificação, são geradas contendas, divisões e confusões na Igreja.
    Se alguma revelação, profecia ou manifestação espiritual trouxe algum tipo de confusão, certamente não foi obra do Espírito, pois Deus não é de confusão (1Co 14.33).   

    3- Um espírito maligno: o apóstolo Pedro (Mt 16.22-23); Simão, o mágico (At 8.9-10); Barjesus (At 13.5-8); A jovem pitonisa (At  16.16-18);
    Líderes e ensinadores dos dias dos apóstolos (At 20.29-30; 2Tm 4.3-4).

    Não é tão simples quanto parece discernir os espíritos, pois estarão entre nós, vestidos como nós, usando uma bíblia e o mais grave de tudo, falando em nome de Jesus. Somente capacitados pelo Espírito de Deus é que poderemos identificá-los (Mt 7.22-23).

    1Jo 4.2-3,6 – “Nisto conhecereis” – Os supostos profetas deveriam ser submetidos a dois testes: 1- Confessar que Jesus é o Messias e veio em carne.
    João emprega as palavras “Jesus” e “Cristo” de forma proposital, pois em sua época alguns ensinavam que o Jesus Divino e Jesus humano não eram a mesma pessoa.
    Um falso profeta chamado Cerinto afirmava que o Jesus divino desceu sobre Jesus no batismo e depois deixou seu corpo antes da crucificação (1Jo 2.22). Muitos falsos líderes não aceitavam a natureza humana e divina em um só ser.
    João então enfatiza que Jesus não encarnou no homem, mas que o Verbo se fez carne (Jo 1.1,14); nasceu como homem, sofreu e morreu como homem mas que ressuscitou com um corpo de glória (1Co 15.20), recebeu um Nome que é sobre todo nome (Fp 2.8-9), subiu aos céus diante dos olhos de muitas testemunhas (At 1.9) e está assentado à direita de Deus (Mc 14.62; 16.19; Rm 8.34); e que voltará como Rei dos reis e Senhor dos Senhores (1Tm 6.15).
    No contexto dos dias de João, um verdadeiro ministro deveria confessar que Jesus é o Messias e não apenas um grande profeta. Mas não basta confessá-lo com a boca e negá-lo com o coração, ou seja, na maneira de viver (Tt 1.16; 2Tm 3.5).
     O segundo teste era: Dar ouvidos e seguir a doutrina dos apóstolos (6). Quando as obras e mensagem dos falsos ministros divergiam dos ensinos dos apóstolos saberia-se que o tal ministro era um falso profeta; pois aqueles que andam divorciados da Palavra de Deus não aceitam ser confrontados por ela e perseguem os que estão apregoando o verdadeiro evangelho.

    Qual a procedência dos falsos profetas? (1Jo 4.5)
     “Do mundo são...”  - Eles estão na verdade entre nós, mas com outro espírito (At 20.30; 1Jo 2.19), são lobos vestidos de ovelha (Mt 7.15).

    Qual o teor de suas mensagens e obras?
    “Falam do mundo...” Na mensagem dos enganadores a cruz é trocada pelos prazeres carnais; substituem o evangelho por modismo, doutrinas estranhas e atividades antibíblicas na igreja; não confrontam o pecado; não renunciam a carne; desejam e pregam apenas o bem-estar terreno (Mt 7.16).

    E quem são seus ouvintes?
    “E o mundo os ouve...” João classifica como mundanos todos os que dão ouvidos e seguem tais espíritos. Dois tipos de pessoas serão atraídos por eles; os que não tiverem discernimento nem maturidade espiritual e os que desejam os prazeres carnais. Há aqueles que erram por falta de conhecimento (Mt 22.29); mas também existem aqueles que estão com o coração contaminado; se fizeram amigos do mundo e trouxeram práticas e costumes abomináveis a Deus para dentro da Igreja (1Jo 2.15; Tg 4.4).  

    Como adquirir o discernimento?
    Para que possamos viver uma vida debaixo da graça de Deus e conseguirmos discernir os espíritos operantes nas igrejas evangélicas em meio a uma geração imediatista, egoísta e com uma teologia meramente terrena, que tem se tornado um alvo fácil aos espíritos enganadores, alguns caminhos devemos tomar:
    1-      Buscar o dom espiritual de discernir os espíritos (1CO 12.10,31).     
    2-     Alcançar a maturidade espiritual (2Pe 3.18).
    3-     Pedir a sabedoria que vem do Alto (Tg 1.5).
    4-     Meditar na Palavra de Deus (Hb 4.12).

    Seguindo esses caminhos não seremos facilmente iludidos pelos falsos profetas de nossa geração.

    Que Deus abençoe sua vida!

    Pastor Odair Padia
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