A Fé Heróica de Moisés
14 de junho de 2015
Texto Áureo
“Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vos, de que te
tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a
vida, para que vivas, tu e a tua descendência”. Deuteronômio 30.19
Verdade Aplicada
A fé é a chave que nos abre o portal eterno e nos permite ver de forma
cristalina aquilo que ainda não tomou forma no mundo físico.
Textos de referência
Hebreus 11.23-26
23 - Pela fé, Moisés, já nascido, foi escondido três meses por seus
pais, porque viram que era um menino formoso; e não temeram o mandamento
do rei.
24 - Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó,
25 - Escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo, ter o gozo do pecado;
26 - Tendo, por maiores riquezas o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa.
O escritor do livro de Hebreus destila grandeza quando revela as
renúncias de Moisés pela fé. As decisões tomadas pelo patriarca
apresentam o alcance do poder divino. Sabemos que a graça cobre o mais
vil entre os pecadores, mas a história de Moisés nos ensina que Deus
também salva nobres, príncipes e cultos.
Pela fé, Moisés foi capaz de ver através da eternidade o que todos em
seu tempo duvidaram. Ele recusou a nobreza, foi contado como um louco ao
escolher os desfavorecidos e discerniu de modo singular a verdadeira
riqueza do universo. Vejamos:
Durante seus primeiros quarenta anos de vida, Moisés se tornou um dos
homens mais sábios e mais poderosos do Egito, uma figura importante, o
filho único e herdeiro do trono de Faraó. Estevão diz que ele era:
“instruído em toda a ciência dos egípcios; e era poderoso em suas
palavras e obras” (At 7.22). Moisés era capaz de governar uma nação.
Somente um louco poderia desprezar um palácio, a posição e a nobreza
para dedicar sua vida a pessoas desconhecidas e pensamento escravo. O
desprezo com que foi valorizada sua decisão e as acusações e escárnio
que acumulou sobre si lhe acrescentaram o título de “louco”. Quando
chegou a uma idade suficiente madura para saber qual era a plenitude da
verdade, desprezou todo compromisso e se apresentou audazmente como um
servo do Deus vivente. O escritor aos hebreus destaca que sua decisão
não foi por sentimento pátrio, e sim por fé. Essa fé que lhe fez perder
tudo foi a mesma que o fez ser o que é (Hb 11.24).
Moisés foi criado no luxo como herdeiro do reino. Até que chegou um dia
em que se decidiu aliar aos oprimidos israelitas e dizer adeus ao futuro
de riqueza, tranquilidade, comodidades e domínio real (Hb 11.25).
Devemos ter em mente aspectos importantes como: o tipo de sociedade que
Moisés se sentiu compelido a deixar; a separação dos mais estimáveis
amigos; o rompimento com todas as honrasse a nobreza com que sempre
viveu para ser maltratado com um grupo sem prestígio e prestes a ser
devastado. Ele pode não ter convivido com o pecado, mas sempre teve a
seus pés os tesouros do Egito. Moisés sempre soube quem era e, quando
descobriu o que deveria fazer, teve honra em decidir pelo que é correto,
mesmo que desagradasse aos demais.
A causa que Moisés abraçou trazia como prêmio uma abundante tribulação
(Hb 11.26). Não havia recompensa presente, senão o que perder; deveria
agir motivado apenas por um puro princípio, amor a Deus e convicção da
verdade. Tudo o que o povo iria lhe oferecer era aflição em lugar de
riqueza e honra. Ainda hoje a recompensa é a mesma, é preciso calcular o
custo antes de dizer que realmente se serve a Deus. Se servir ao Senhor
não for suficiente recompensa, aqueles que esperam maiores coisas sigam
seu caminho egoísta. Se a eternidade não for suficiente, os que almejam
reconhecimento busquem aqui mesmo na terra o seu galardão. Moisés atuou
de maneira totalmente desinteressada, sem receber promessa alguma, sem
qualquer ajuda em troca.
2. Fé, a fonte das decisões de Moisés.
Durante toda sua infância, Moisés foi influenciado por sua mãe Joquebede
e certamente sabia ser ele o libertador de Israel, pois cuidava que
seus irmãos também entendessem (At 7.24). Mesmo sendo o detentor de tal
verdade, algo o deveria impulsionar a prosseguir, a fé foi a força
motriz que alavancou sua vida e lhe fez ver coisas inefáveis. Vejamos:
2.1. Pela fé, Moisés viu a recompensa do sofrimento.
Em comparação com a luz eterna da Palavra de Deus, o conhecimento dos
homens nada mais é que uma escuridão visível. Os grandes sábios não se
dispõem a reconhecer o Deus vivo. Em todas as épocas, os sábios
desprezaram a sabedoria do infinito (1Co 1.18-21, 26). Moisés conheceu
toda a ciência egípcia, conhecia cada um deus existente ali, mas sabia
em seu coração que havia somente um Deus. Os instintos da natureza
hebreia e a morte do egípcio muito contribuíram para uma mudança na vida
de Moisés, mas o texto indica que a razão principal de seu rompimento
foi a fé e, através dela, viu tanto o sofrimento quanto a recompensa (Hb
11.26). A fé mostrou a Moisés o que havia dentro da eternidade, daí em
diante, qualquer grandeza que visse no mundo se tornava nada diante do
que a fé lhe revelara (Rm 8.17, 18).
Moisés descartou a possibilidade das riquezas humanas por uma recompensa
na eternidade. Embora perdesse, esperava se tornar um vencedor. Sabia
que, no dia do julgamento, veria a balança imparcial, sabia que não
havia trocado um galardão incorruptível por um “mísero prato de
lentilhas” como fazem os que se vendem na casa de Deus. Era isso o que
Moisés via e nada poderia persuadir sua mente. Moisés se dispôs a seguir
a estrela e, mesmo que andasse através das chamas e das inundações, o
que importava era o que via pela fé. Ele sabia que sua causa era a causa
de Deus e, portanto, essa era a única verdade que impulsionava sua vida
a queimar todos os arquivos do passado e seguir em frente, sem
pestanejar.
A fé de Moisés também descansa em Cristo. Ele ainda não havia vindo, mas
ele o viu através da eternidade (Hb 11.26). Ele conhecia a promessa dos
patriarcas que, na semente de Abraão, seriam benditas todas as nações
da terra e estava disposto a assumir o vitupério para participar da
promessa. Ele não conhecia tudo o que conhecemos hoje, mas tinha fé no
Messias que havia de vir. Mais adiante, ele próprio anuncia o Cristo que
havia visto pela fé (Dt 18.18). E, como prêmio por seu trabalho e por
sua fé, ele volta após a morte, já glorificado, juntamente com o profeta
Elias, para testificar daquele a quem havia anunciado, como sendo a
única voz a ser ouvida pelos discípulos e a única autoridade na terra
outorgada pelo Pai (Lc 9.30, 31).
3. Perder para ganhar: uma lição de fé.
Escolher servir a Deus é inimizade declarada contra o mundo (Hb 11.27).
Moisés se tornou inimigo de todos para se fazer amigo de Deus. O que viu
afinal? O texto é muito claro: ele viu o invisível.
3.1. A fé que moveu Moisés.
O maior obstáculo que um servo de Deus pode ter na vida é criar raízes
em algum lugar. Qualquer pessoa que está, há muito tempo, fixo em algum
trabalho ou lugar ficará inseguro em deixar o comodismo de sua situação.
Moisés poderia ter gostado de ser o filho da filha de Faraó, ele sabia
que chegaria um tempo em que não iria mais retroceder por causa de sua
posição e que prejudicaria tanto a nação quanto sua própria alma. A
palavra traduzida por “escolhendo ou preferindo” no versículo 25 vem do
grego “tomar uma decisão”. E, logo em seguida, o texto diz que ele
“abandonou, deixou o Egito” (Hb 11.27). Como um míssil que persegue um
jato inimigo, Moisés viu o que estava à frente, olhou para além da
encruzilhada do caminho das decisões e permitiu que sua fé comandasse
suas atitudes.
A causa pela qual Moisés renunciaria sua coroa incluía como galardão
terreno um grupo de escravos quebrantados e oprimidos pela sociedade. A
escravidão tanto desumaniza quanto incapacita, impedindo por gerações o
gozo da própria liberdade. Está comprovado que, mesmo que os escravos
recebessem liberdade, eles jamais atuariam como os que nasceram livres,
porque a escravidão é como um ferro que espeta a alma e amarra o
espírito. Está claro que a missão de Moisés exigia muito mais que deixar
tudo. Ele deveria se ajustar aquele povo; deveria descer a seu nível;
conviver com eles; suportá-los e amá-los como o povo escolhido de Deus.
Devemos considerar o que Moisés deixou e o que recebeu em troca. Não
houve um monumento para esse homem tão dedicado e tão altruísta. Não
houve uma esfinge, nem tampouco uma pirâmide. O Egito estava mais que
disposto a esquecer que tal homem existiu um dia. Esse grande herói
morreu em um cume solitário, nas encostas áridas do monte Pisga, sem
receber ao menos uma flor em sua sepultura. Moisés trocou
voluntariamente os monumentos e a aclamação, os incentivos, o poder e os
prazeres terrenos por uma recompensa num reino invisível. Ele deu tudo o
que possuía por um relacionamento com Deus. Foi o maior negócio que
alguém poderia ter feito. O que perdeu não teria condições de guardar,
mas o que ganhou jamais poderia perder.
CONCLUSÃO
Moisés percebia que os prazeres do pecado eram passageiros (Hb 11.25).
Vendo que o tempo havia chegado, teve coragem para renunciar. Ele sabia
que a vida não era longa o bastante e não queria comparecer diante de
Deus como alguém que rejeitou o direito de servir (Lc 14.33).


